Aniversário da quadrilha especializada em roubar os professores

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No último dia 1º de Setembro, foi comemorado o dia do Profissional de Educação Física, essa data foi instituída  pela Lei Federal nº 9696, em 01 de setembro de 1998, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, que regulamentou a Profissão de Educação Física e criou os Conselho Federal de Educação Física (Confef) e os Conselhos Regionais de Educação Física (Cref), que em sua grande maioria tiveram como elementos indicados à tais conselhos, pessoas com afinidades políticas com a direita, PSDB, DEM e outros.

De acordo com o Confef, profissional de Educação Física é aquele que se encaixa nas seguintes denominações: Professor de Educação Física, Técnico Desportivo, Treinador Esportivo, Preparador Físico, Personal Trainner, Técnico de Esportes; Treinador de Esportes; Preparador Físico-corporal; Professor de Educação Corporal; Orientador de Exercícios Corporais; Monitor de Atividades Corporais; Motricista e Cinesiólogo. No entanto dentro deste campo, a enorme maioria destes profissionais atua na área da educação escolar, área com maior nível de empregos no Brasil.

Dezenas de sindicatos e entidades de classe, ao longo dos últimos 19 anos vêm criticando e processando os Conselhos de Educação Física, como a Apeoesp, o Sinpeem, o MNCR (Movimento Nacional contra a Regulamentação do Profissional de Educação Física) e ainda grupos de pesquisas em Educação Física como o GPEF (Faculdade de Educação da USP). Desde o surgimento de tais conselhos, tidos por expressiva parte dos professores de Educação Física como uma verdadeira máfia, que tem por única função “extorquir” e penalizar professores que não estão em dia com tais conselhos.

Em 2013, foi lançada uma Campanha Nacional Pelo direito ao trabalho dos professores e professoras de Educação Física, denunciando as  ingerências do Sistema CONFEF/CREF contra os trabalhadores da área e àqueles atuantes na área da educação e pela anulação de todo processo de regulamentação da profissão organizado pelos organismos da direita, procurando levantar a luta pela regulamentação do trabalho de forma a garantir a todo trabalhador (empregado ou não) direitos básicos como: estabilidade, férias, salário e aposentadoria dignos, etc. No entanto, tais lutas, como as lutas de toda classe trabalhadora sofrerão revés com o golpe de Estado em marcha no país e com a direita na ofensiva, os Confef/Crefs de todo país ganharam inúmeros processos que impõe aos professores de Educação Física a obrigatoriedade de sua filiação a tais órgãos assim como o pagamento de abusivas taxas anuais que chegam a R$600,00, sob pena de multas e até prisão.

Segundo denúncia e manifesto do GPEF (Grupo de Pesquisas em Educação Física Escolar da USP) os professores de Educação Física vem constantemente sofrendo ações violentas e despropositadas através do Conselho Regional de Educação Física de São Paulo, por intermédio de fiscais, contra professores concursados ou contratados que estão em plena conformidade com a legislação trabalhista e educacional, atacando a docência procurando criminalizar educadores cujo trabalho é reconhecido e valorizado em suas comunidades, mostrando o autoritarismo e ditadura destes órgãos mafiosos instituídos por força de lei.

Em que pese o carinho da população em geral e alunos aos professores de Educação Física, a data de 1° de Setembro também cumpre uma função de dividir os professores, principalmente àqueles em atuação nas redes públicas e privadas de ensino, pois não há o dia do professor de matemática, de história, de geografia, português, nem deve haver, pois todos são Professores!

E o dia do professor é 15 de outubro,  pois esse recupera o sentido da luta da data e também porque se contrapõe ao dia 1.º de setembro – data que o conselho profissional (CONFEF/CREF) tenta impor a esses trabalhadores e trabalhadoras como sendo o seu dia, este Conselho que ataca os trabalhadores da cultura corporal, impõe a necessidade de fragmentar a formação e em nada contribui para a luta por melhores condições aos trabalhadores da Educação Física.

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