A CUT dá lição na esquerda de como lutar contra o imperialismo e o golpe de estado

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As importantes decisões do Congresso Nacional Extraordinário da Central Única dos Trabalhadores apontam, em linhas gerais, uma perspectiva para a mobilização dos trabalhadores contra o golpe de estado e suas consequências, na próxima etapa.

Dentre as mais importantes, como esse Diário vem assinalando, destaca-se, em  primeiro lugar a que diz respeito à necessidade de se solidarizar com o povo venezuelano (e com seu governo) contra a intensa operação golpista que se intensifica naquele País vizinho, impulsionada diretamente pelo imperialismo norte-americano, cujo governo ameaçou, inclusive com a intervenção militar naquele País. Assumindo uma posição de classe, de internacionalismo concreto, a CUT deixou de lado a orientação política de setores da esquerda pequeno burguesa que advogam que não se pode apoiar o governo Maduro contra a direita reacionária e submissa à Wall Street  por conta de supostos erros do governo, da mesma forma que defenderam diante da operação golpista contra o governo Dilma, posicionando-se claramente ao lado da esquerda, de forma ativa (“fora Dilma”) ou passiva (“o fundamental não é lutar contra o golpe, mas protestar contra os ajustes do governo do PT” etc.

Posicionando-se à esquerda de quase toda a esquerda “coxinha”, que muitas vezes se apresenta como “radical” até como “revolucionária”, mas apoia a fraudulenta operação lava-jato, comandada pelo “Mussoline de Maringá” (como o PSOL de Luciana Genro) e até defende a prisão de Lula e de outros dirigentes do PT e outros opositores do regime golpista (como o PSTU e “sua”  Conlutas), a CUT se colocou claramente contra a condenação e prisão de Lula e aprovou um chamado à mobilização, no próximo dia 13, em Curitiba, quando o ex-presidente, mais uma vez terá que depor diante diante do juizeco golpista, Sérgio Moro. Destaca-se a intervenção à respeito do dirigente do MST, João Pedro Stelide, que defendeu que haja 50 mil em Curitiba e disse que é preciso defender o direito à candidatura de Lula em quaisquer condições, ainda que Lula seja condenado e preso, não aceitando que o judiciário e outras instituições golpistas (e também os caçadores de “alternativas” da esquerda) imponham outras “opções” (inclusive eleitorais) à maioria do povo brasileiro que quer Lula como candidato.

O Concut também adotou uma posição consequente diante do golpe que vem sendo defendida, há muito, pelo PCO e pelos comitês de luta contra o golpe, por muitos militantes de base do PT e que, nas últimas semanas, ganhou – na forma de assinatura em uma Ação Popular –  o apoio de  milhares de dirigentes sindicais e políticos da esquerda, como o próprio Lula, a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann, o presidente da CUT, Wagner Freitas, dentre outros: a reivindicação de que o STF anule o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, derrubada por um golpe de estado, sem nenhum crime, exigindo-se que a mesma seja reconduzida ao seu cargo, para o qual foi eleita até 31 de dezembro de 2018, por mais de 54,5 milhões de brasileiros.

Por último, e destacado como prioridade pelos dirigentes cutistas, o Congresso deliberou realizar uma ampla e massiva campanha em favor da anulação da “contrareforma trabalhista”, ao mesmo tempo em que convoca a luta – incluindo a realização de uma nova greve geral, diante da possibilidade de que seja colocada em votação a famigerada “reforma” da Previdência, que quer acabar com as aposentadorias. “Se colocar para votar, o Brasil vai parar”, deliberou o encontro da maior e mais combativa organização nacional dos trabalhadores do País.

Ainda que esta campanha, seja tomada, por uma parte da burocracia como uma ferrramenta para buscar uma “unidade” (não mais que formal) com setores que não querem lutar contra o golpe, defender a Venezuela etc. e que até mesmo apoiam o governo Temer, como é o caso da Força Sindical, ou a prisão de Lula, como a Conlutas-PSTU, a proposta (junto com a Ação Popular pela anulação do impeachment) serve como um instrumento para mobilizar os trabalhadores nas fábricas e demais locais de trabalho, moradia e estudo (participação da juventude!) contra os ataques dos golpistas e contra o próprio golpe, abrindo caminho para superar o atual estágio de confusão e paralisia impulsionado pela política de setores da esquerda (inclusive do PT e da CUT) que defenderam sem sucesso algum a política de apostar nas direitas a ser aprovadas no congresso golpista, coisa que no Concut ficou evidente ninguém acredita mais.

 

 

 

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