Bolsonaro apoia torturadores, estupradores e terroristas

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Atualmente a burguesia procura evitar que a polarização da sociedade se manifeste e se intensifique nas eleições. De um lado está a esquerda reformista, de outro um candidato de ideologia de extrema-direita que mobiliza grupos fascistas com seu discurso contra a esquerda. Trata-se de Jair Bolsonaro, deputado federal há 26 anos, em vias de deixar o PSC (Partido Social Cristão) para sair como candidato à presidência por alguma legenda de aluguel que o aceite como candidato.

Contra o PT, a tarefa de esvaziar as eleições consiste em prender o ex-presidente Lula, mesmo que em um escandaloso processo sem provas que exponha para um grande setor da população a farsa que são a justiça burguesa e o Poder Judiciário, o poder mais reacionário e dominado pela burguesia para conspirar e agir contra o povo. Sem Lula, as próprias eleições serão uma absoluta fraude do novo regime golpista que está tirando tudo dos trabalhadores e do Brasil.

Caso a direita consiga realizar tais eleições fraudulentas, restará ainda um problema para o regime fruto do golpe. A polarização política no país empurra tanto a esquerda em geral mais à esquerda quanto a direita mais à direita. O candidato do polo direitista é Bolsonaro. Muitos coxinhas vão querer votar em Bolsonaro, enquanto a burguesia terá que convencê-los, por meio de sua imprensa, a votar em algum candidato sem nenhum apelo para ninguém, como João Doria, prefeito de São Paulo, ou alguma outra nulidade do mesmo tipo.

Como candidato de extrema-direita, Bolsonaro levanta as exóticas palavras de ordem demagógicas que excitam os setores mais atrasados da pequena burguesia. Algumas dessas palavras de ordem são importadas dos EUA, onde o patriota foi pedir dinheiro para sua campanha no mês passado. É o caso dos ataques contra imigrantes. Segundo Bolsonaro, refugiados sírios e haitianos são a “escória do mundo”.

Já outras dessas palavras de ordem são mais tradicionais. Por exemplo, “bandido bom é bandido morto” ou “direitos humanos para humanos direitos”. Esta última significa que só quem concorda com a extrema-direita deve ter direitos, é uma palavra de ordem nazista, disfarçada de política supostamente contra o crime. A primeira também seria contra o crime, mas visa encobrir os crimes cometidos pelos agentes da repressão estatal, pelas PMs assassinas de todo o país, no país em que a polícia mais mata em todo o mundo. É uma palavra de ordem a favor do crime e de bandidos encobertos pelo Estado burguês.

O alvo não é nenhum criminoso, mas os adversários políticos da extrema-direita. Bolsonaro alega que seria contra os “bandidos”. Contra os homicídios, estupros e o terrorismo. No entanto, o próprio Bolsonaro apoia abertamente reconhecidos bandidos responsáveis justamente por crimes como esses. É o caso da escória que participava da repressão política durante o desastre da ditadura militar.

Por exemplo, em seu voto a favor do impeachment de Dilma Rousseff, a presidenta eleita pelo povo com 54,5 milhões de votos em 2014, Bolsonaro fez uma homenagem ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra. Votou sim, segundo ele, “pela memória de Carlos Alberto Brilhante Ustra”. Além de dizer: “perderam em 1964, perderam agora em 2016”, em uma reveladora fala sobre o caráter golpista do processo fraudulento de impeachment, que a imprensa burguesa procura encobrir até hoje.

Ustra não foi apenas um “bandido”, foi chefe do DOI-CODI de setembro de 1970 a janeiro de 1974. Foi responsável pela tortura de inúmeras pessoas indefesas, que estavam sob custódia do Estado durante a ditadura militar. Em 1985 Ustra foi reconhecido como torturador pela então deputada Bete Mendes e denunciado.

Entre muitos casos de tortura de que Ustra participou, alguns são especialmente notáveis pela monstruosidade de que a direita é capaz. Por exemplo o caso de Criméia Schmidt, torturada pessoalmente por Ustra enquanto estava grávida. Ou o caso de Maria Amélia Teles, que estava suja de sangue e urina em uma cadeira do dragão, desfigurada e cheia de hematomas, quandos seus filhos de quatro e cinco anos foram levados para vê-la sendo torturada.

É isso que Bolsonaro estava homenageando em seu voto, a violência contra pessoas indefesas sob o poder do Estado. A cumplicidade com a tortura dos militares praticadas durante a ditadura inclui, além da própria tortura, o estupro usado na época contra opositoras como arma de guerra. Todo tipo de atrocidades contra pessoas detidas pela ditadura militar seriam justificadas, segundo os psicopatas simpatizantes daquele regime, defensores de criaturas inferiores como o repugnante Ustra.

A extrema-direita procura justificar sua covardia e a violência contra pessoas sem condições de se defender acusando a esquerda de volta. Mesmo método da polícia quando executa jovens negros na periferia, acusando-os dos mais diversos crimes para tentar justificar homicídios. Uma acusação frequente contra a esquerda da época é de “terrorismo”, como se o povo fosse obrigado a aceitar ser governado por uma ditadura. A acusação, além de não fazer sentido, é hipócrita. Os militares, estando no poder, praticaram uma série de atentados terroristas durante os anos de chumbo. Mais do que a esquerda que os combatia.

O famoso atentado do Riocentro, em 1981, que só não funcionou por incompetência, teria matado milhares de pessoas de uma vez no Rio de Janeiro e seria o maior atentado terrorista da história do Brasil. O objetivo era culpar a esquerda e impedir a abertura política que estava em curso. Pouco depois da ditadura, em 1987, o próprio Bolsonaro diria à Veja estar planejando explodir bombas em banheiros de dependências militares para exigir aumento de salário. O épico ataque a banheiros para aumentar o próprio salário marca o início da atuação política desse nobre entusiasta de torturadores estupradores homicidas.

Como dito acima, Bolsonaro não é contra o terrorismo, desde que seja de direita. Não é contra o estupro, se praticado contra adversários políticos. Nem é contra a tortura. Ou seja, Bolsonaro defende bandidos, se forem seus amigos. Não são “bandidos” que a extrema-direita quer assassinar. Em última instância, é qualquer um que não concorde em tudo com os fascistas. É como disse um general participante de outra ditadura militar da região, o argentino Ibérico Saint-Jean: “Primeiro mataremos todos os subversivos, logo mataremos os seus colaboradores, depois os seus simpatizantes, em seguida os que permanecem indiferentes e finalmente os tímidos.”

A função da extrema-direita é esmagar os trabalhadores da forma mais violenta para impor os interesses dos capitalistas. Por enquanto, Bolsonaro ainda não é a escolha dos principais setores da burguesia, que terão que lidar com o problema de como contorná-lo. Mas já tem apoio de alguns setores burgueses, e capitaliza a polarização criada pelo imperialismo com a campanha golpista que colocou em marcha o programa de destruição do país em andamento que jamais teria vencido uma eleição no regime político que acaba de ser destruído.

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