Nos Correios, sem desmascarar a Findect, campanha salarial será negociada a partir da “reforma” trabalhista

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Os trabalhadores dos Correios têm sua data base no mês de agosto.

Curiosamente, esse ano a direção dos Correios não quis acelerar o inicio das negociações, como sempre faz, querendo que as negociações começassem em julho, pelo contrário.

Depois de acertado com as direções sindicais da Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores dos Correios), de que as negociações começariam no dia 8 de agosto, os golpistas da direção dos Correios, suspenderam o início das negociações e só remarcaram o inicio das negociações no dia 22 depois de uma audiência marcada pelo TST (Tribunal Superior do Trabalho) entre a Fentect e a direção da ECT.

No entanto, na audiência do dia 22 no TST, o golpista ministro vice-presidente do TST, Emmanoel Pereira apresentou uma proposta de suspensão das negociações nos correios até o dia 31 de dezembro, com o pretexto de nesse período os trabalhadores só negociarem o plano de saúde, com intermediação do Tribunal, prorrogando todos os direitos do acordo coletivo anterior, até o dia 31 de dezembro, com a condição de que não haja greve na categoria.

Na audiência, a direção da ECT e a “federação fantasma” (Findect), comandada pelo PCdoB e PMDB, elogiaram a proposta, mas requisitando prazo para de forma “democrática” consultar seus pares.

Já a Fentect, por ser uma federação real, que sofre a pressão dos trabalhadores, foi obrigada, de forma tímida e quase pedindo desculpas ao ministro, dizer que não concordaria que obviamente a proposta tem como conteúdo empurrar as negociações para o período que já estará em vigor à nova legislação trabalhista, oriunda da famigerada “reforma” trabalhista dos golpistas.

O ministro ignorando os sindicalistas da Fentect, se apoiando nos capachos da direção da ECT, representando a ilegítima “federação fantasma”, que se quer tem registro no Ministério do Trabalho para negociar nacionalmente em nome dos trabalhadores dos Correios, jogou a continuidade dessa discussão para no mínimo mais 20 dias, com 15 dias para os sindicatos realizarem assembleias e depois mais cinco para direção da ECT responder sobre as decisões dos sindicatos.

Os sindicatos da Fentect, logo realizaram suas assembleias e decidiram pelo início imediato das negociações, e os sindicalistas traidores da Findect, utilizando rigorosamente o prazo de 15 dias dado pelo ministro, anunciou que também irá decidir pelo inicio das negociações.

Então porque a Findect foi favorável à proposta de suspensão das negociações da campanha salarial em frente do ministro e agora está defendo outra posição?

Ora! É simples. Em primeiro lugar, porque se a Fentect, que é a única que pode negociar e seus sindicatos decidiram de forma unânime pelo inicio das negociações. O ministro do TST e a ECT não conseguiram manter a farsa e não poderão nesse momento, antes da vigência da “reforma” trabalhista negociar somente com a “federação fantasma”, pois correm o risco de nada disso ter validade, além do fato de levantar a categoria de SP e RJ contra os capachos que controlam em nome da direção da ECT esses sindicatos.

Em segundo lugar: A proposta do ministro do TST de suspensão das negociações da campanha salarial dos Correios já está mais que meio caminho encaminhado.

Mesmo com a discordância dos trabalhadores em suspender as negociações, as negociações já estão suspensas, na melhor das hipóteses até o 12 de setembro, prazo limite para direção da ECT apresentar suas posições.

A partir do dia 12 de setembro, o ministro marcará nova audiência para discutir o assunto, sem data confirmada, o que pode ser no mínimo mais 48 horas, ou seja, dia 14 ou 15 de setembro.

Nessa audiência se tudo correr bem, ou seja, não houver mais nenhuma manobra da direção da ECT ou do ministro do TST, os trabalhadores terão que remarcar nova reunião com a direção da ECT para iniciar as negociações, já que dia 15 cai numa sexta-feira, o inicio das negociações só poderão acontecer partir do dia 18 de setembro.

No entanto, o calendário da Fentect, tinha como data limite para a greve o dia 19 de setembro, o que obrigará todo o movimento rediscutir um novo calendário, já que sequer as negociações iniciaram.

Pensando que as negociações não acontecem em menos de um mês e 10 dias, ainda mais que o TST já avisou que fará negociações paralelas para discutir o plano de saúde da categoria, a campanha salarial dos Correios, na melhor das hipóteses, como disse o ministro golpista em audiência, nem por milagre deixará de entrar na vigência da “reforma” trabalhista.

Diante dessa situação, somente com o desmascaramento da Findect em suas bases, que só pode se dar através de assembleias realizadas pela Fentect em SP e RJ é possível levar a categoria dos Correios a uma greve, antes de novembro, a fim de exigir que as negociações se estabeleçam nos patamares da lei anterior, que não prejudicará os direitos dos trabalhadores, como não retira o poder de negociação das suas organizações sindicais, centralizadas pela Fentect.

 

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