Chacina de Pau d`Arco: laudo conclui que policiais realizaram matança

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No último dia 28, a Secretaria de Segurança Pública do Pará (Segup) entregou o laudo da perícia e da reconstituição da chacina realizada em maio deste ano contra trabalhadores sem-terra em Pau d`Arco.

A conclusão só confirma o que estava claro, que os trabalhadores sem-terra foram executados pelos policiais civis e militares. As provas, versões e testemunhas da chacina foram tão obvias que até a própria Segup, e consequentemente o governo do Estado, que atuaram claramente contra os sem-terra com afirmações que condenavam os sem-terra, tiveram que apontar os policiais como os executores da chacina.

É importante lembrar que o governo do estado, na pessoa do tucano golpista Simão Jatene, afirmou em nota oficial após a chacina que eram “supostos sem-terra” e que a polícia foi recebida a bala.

O laudo apresenta como execução dos trabalhadores sem-terra, que chegaram a fugir quando viram a chegada dos policiais, que imediatamente se dividiram em grupos e iniciaram uma caçada aos trabalhadores dentro da mata. Ainda afirma que os sem-terra foram rendidos e executados, e a agricultora e presidente da associação, Jane Júlia de Almeida foi executada com um tiro na cabeça. Participaram da chacina policiais militares, da delegacia de conflitos agrários (DECA) e do Grupo Tático de Xinguara.

A própria polícia afirma no laudo que não houveram tiros disparados pelos trabalhadores sem-terra, o que contesta a versão oficial da polícia. Os policiais utilizaram armas “frias”, ou seja, não fornecidas pela polícia. Isso porque, cinco vítimas foram assassinadas por armas que não foram apresentadas pelos policiais.

O laudo só vem confirmar o que já era óbvio: os policiais agiram de maneira planejada para assassinar os trabalhadores sem-terra. O resultado não é nenhuma novidade, mas apenas evidencia o papel da polícia e do estado golpista contra o movimento de luta pela terra.

Apesar de todas as provas e perigo para as vítimas, policiais continuam em liberdade

Desde as primeiras informações sobre a chacina não restaram dúvidas do papel criminoso dos policiais e que agiram a mando do latifúndio. Tanto que as testemunhas tiveram que fugir e poucas conseguiram serem encaixadas no programa de proteção a testemunha dada ao perigo de ocorrer a “queima de arquivo”. Uma liderança que não foi encaixada no programa de proteção a testemunha e teve que se esconder após a chacina, Rosenilton Pereira de Almeida, que posteriormente foi assassinado.

E mesmo com todas as provas, testemunhas, perseguição e assassinatos, a justiça golpista mandou soltar os 13 policiais. Esse é o aval para os assassinos e latifundiários agirem com a certeza que o judiciário vai atuar em sua defesa, mesmo com os crimes mais bárbaros. As testemunhas estão apavoradas e correm o risco de vida devido as arbitrariedades do judiciário golpista.

A única certeza para as famílias das vítimas e dos que lutam pela reforma agrária é a impunidade do latifúndio assassino, pistoleiros e policiais. É preciso exigir a punição aos responsáveis da chacina, inclusive denunciar a participação do judiciário e do governo golpista do tucano Simão Jatene.

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