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Cartunistas contra o golpe: página denuncia, em charges, o golpe - Diário Causa Operária Online

Cartunistas contra o golpe: página denuncia, em charges, o golpe

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Movimento de luta de um setor de chargistas do Brasil, alguns na grande imprensa, outros na imprensa sindical e alternativa, não engoliram a conversa mole da elite golpista brasileira. É também uma página que reúne desenhos destes cartunistas contrários ao Golpe de Estado que está ocorrendo no Brasil

Este golpe começou com a trama para derrubar a presidenta eleita Dilma Roussef, seguiu no apoio financeiro a movimentos de direita que visavam desestabilizar o governo. Seguiu também nos ataques aos direitos dos trabalhadores, aposentados, pré-sal e agora, ao ex-presidente Lula e às eleições de 2018.

Eu fui para Portugal em maio de 2016, logo após a aceitação do processo de impeachment de Dilma. Duas coisas me marcaram sobremaneira:

– Gregório Duvivier reuniu centenas de trabalhadores, artistas, intelectuais e juristas no Teatro Tivoli em Lisboa para se manifestar contra o ataque à democracia no Brasil (quem me avisou foi o diretor do Museu do Cartunista Bordalo Pinheiro).

– Luís Humberto Marcos, diretor do Museu PortoCartoon me perguntou:

“E todos os cartunistas se levantaram contra o Golpe? Suponho que sim, afinal devem estar ao lado da democracia.”

Envergonhado, tive que dizer não, que a maioria preferiu silenciar e fazer charges ironizando a presidenta e confirmando a legitimidade do processo de impeachment (logo este que não seguiu nem suas premissas básicas).

Perceber-se solitário numa luta é desalentador, mas não podemos desistir. Segui fazendo minhas charges e até uma HQ pra Frente Brasil Popular denunciando o golpe. Segui também procurando outros iguais. Profissionais da área com visão crítica suficiente para não cair no canto da sereia neo-liberal…

É importante ressaltar que muitos profissionais do humor gráfico foram ameaçados e até demitidos dos jornais onde trabalhavam, por suas posturas políticas. Outros conseguiram preservar seu espaço e liberdade de opinião.

Mas no geral, os chargistas se acomodaram ao “status quo” da imprensa tupiniquim, fazendo coro aos Arnaldos Jabores e Mervais Pereiras de plantão, ao melhor exemplo da música de Chico Buarque ”a voz do dono e o dono da voz”. Neste caso fizeram coro ao discurso golpista e desenharam Lula indo passar o fim de semana no triplex do Guarujá ou chamando os donos da Odebrecht para a festa junina do sítio de Atibaia.

Ter uma visão classista ou progressista faz toda a diferença quando se analisa o trabalho do humorista gráfico. Muitos preferem fazer humor pelo humor, o que é um direito deles, diga-se de passagem. Há os que assumem abertamente um discurso direitista. Outros preferem não se posicionar, para não sofrerem represálias. Há os que curtem o que aconteceu, afinal “o PT fez por merecer”. O que mais choca é perceber que não se importam se o golpe foi urdido por uma elite nacional corrupta e decrépita, pronta para entregar as riquezas nacionais ao capital multinacional, e para colocar os trabalhadores de volta a seus lugares, como massa pronta para ter extraído sua última gota de sangue numa máquina que visa apenas lucro.

Nisto, o interessante é perceber que para fazer charge contra os avanços dos governos Lula e Dilma, bastava uma manchete, uma delação qualquer, a pesquisa do fato, ou sua veracidade não importavam.

Mas vou deixar isto de lado, meu foco neste artigo é os que estão no nosso lado da trincheira.

Abril de 2016.

O plenário da Câmara dos Deputados aprovou relatório do impeachment com 367 votos a favor e 137 contra.

Foi neste momento de golpes seguidos, de uma justiça subserviente ao plano de ataques aos trabalhadores, de uma imprensa que vislumbrava a chance de desacreditar o PT e ver seus dirigentes presos, que o chargista Vitor Teixeira convidou a mim e a Natalia Forcat para participarmos da gravação de um vídeo pro Jornalistas Livres e Mídia Ninja. Acabou não rolando.

Mas VitorT criou a página “Cartunistas contra o Golpe” no facebook. E seguiu alimentando-a com charges diferentes daquelas que a gente via pelos jornais. Eram charges que denunciavam os golpistas, os empresários, a mídia, a justiça.

Fizemos uma lista de quem poderia colaborar. Chargistas de luta como Márcio Baraldi, Laerte, Maringoni, Latuff, Rice Araujo, Luiz Gê, Flavio Motta, Gimar Machado, Novaes OC, Ani, Luiz Carneiro, Osvaldo Pavanelli, Lorenzo, Mário César de Oliveira, Gualberto Costa, Camilo Riani, Paulo Batista, Dacosta, Fernando Vasqs, Ribs, Jota Camelo, Adolar Mendes, André Felix, Stocker, Zepa Ferrer, Alexandre Beck, Alexandre Bersot, Bruno Aziz, Paulo Setúbal, Osmani Simanca, Cau Gomez, Paulo Emmanuel, Ivan Cabral, Clovis Lima, Julio Mariano, Xalberto, Márcio Malta (Nico), Jorge Guidacci, Diego Novaes, Vitor Vanes, Gervásio Castro Neto, Fernando de Castro, Cival Einstein, Caio Gomez, Oscar Tunista, André Dahmer, Daniel Lafayette, Aroeira, Duke, Paulo Roberto Barbosa, Nilson Azevedo, Berzé,  Quinho, Evandro Alves, Rico Martins, Santiago, Simch, Celso Augusto Schröder, Edgar Vasques, Leandro Dóro, Bier, Kayzer, Gilmar Fraga, Hals, Wagner Passos, Tacho, Alisson Affonso, Paul Nery e os quadrinhistas Rafa Campos, Julio Shimamoto, Floriano FHAF, João Pinheiro, Marcatti, Klevisson, Geuvar Oliveira.

Eles toparam. Mais de 50 chargistas se dispuseram a gritar contra o golpe. Não foi pouco. A página atingiu as 51 mil curtidas e milhares de charges compartilhadas.

Mas ser do contra não é fácil. Se você não for contratado por um órgão de imprensa que tenha a mesma visão dos fatos que você, a publicação de suas charges ficará restrita às redes sociais. Eu optei em 1982 pela imprensa sindical porque queria que meu trabalho fosse visto pelos trabalhadores. E neste trabalho semanal, deixo claro que sou parcial e defendo um lado, o nosso. Isto me fez ser chamado por colegas de traço de chargista petralha, chapa-branca, puxa-saco do Lula… Se foi o preço, foi barato.

Mesmo sendo fundador do PT, eu me dava ao luxo de criticar seus erros. Sempre pela esquerda e com uma visão de classe Durante o mandato de Jacó Bittar na prefeitura de Campinas, fiz charges criticando sua postura autoritária na greve dos servidores, seu racha com o vice Toninho e sua aproximação com Orestes Quércia (o que fez com que saísse do PT e fosse pro PDT). Também cutuquei o governo Lula. Fiz charges de Zé Dirceu no caso Waldomiro, a postura do Pallocci em relação à política econômica, Berzoini arrochando os aposentados, Lula e o “toma lá dá cá” com o PMDB. Mas comecei a ver minhas charges publicadas sem autorização em blogs globais como Noblat e Ancelmo Gois, de “liberais” como Marcelo Tas e mesmo de direita e anti-PT. Eles nunca publicaram minhas charges contra o PSDB.

Resolvi do jeito mais simples: não fazê-las mais. Não quero charge minha compartilhada por fascistas do Vem Pra Rua, Brasil Livre, MBL. Da gente que segue o pato da Fiesp, usando camiseta amarela, quero distância.

Mas o PT pisou na bola ao se aliar com os partidos que deram golpe na presidenta Dilma, para compor mesa na Câmara e no Senado. Faz parte do jogo. Mas com golpista não pode ter jogo. Fiz charge criticando a bancada do PT na Alesp que destituiu o deputado Rillo, forte opositor ao governador Alckmin. Gosto de ser fiel aos princípios.

Uns dizem que “humor a favor tem dois problemas: ser a favor e não ser humor”. Outros dizem que “humor a favor é propaganda”.

Eu me orgulho de defender claramente minhas posições. Seria hipócrita se reconhecesse os avanços sociais e econômicos dos governos Lula e Dilma, fizesse charges críticas a eles e me juntasse  à direita para apedrejá-los. O PSTU já faz isso.

Propaganda todo mundo está sempre fazendo. Eu só não escondo.

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