Brasil do golpe, paraíso dos capitalistas estrangeiros

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A direita deu um golpe para tomar o poder no Brasil em 2016. De novo, como em 1964. Dessa vez o recrudescimento do regime rumo ao autoritarismo contra os trabalhadores e a população em geral está se dando de forma mais gradual, na medida em que o golpe ainda precisa se consolidar diante das divisões da própria burguesia dentro do regime. A força mais poderosa por trás da política é o imperialismo, os grandes monopólios econômicos de países capitalistas desenvolvidos que controlam o mercado mundial.

Diante da crise capitalista, que se aprofundou a partir do colapso neoliberal de 2008, o imperialismo passou a ter uma necessidade de exercer um controle ainda maior sobre os países atrasados. Já em 2009 os EUA coordenaram com sucesso um golpe para derrubar o governo de Honduras, do então presidente Manuel Zelaya. Depois disso, a lista só cresceu, com a derrubada dos governos do Paraguai, Egito, Tailândia, Ucrânia, entre outros. Em todos esses países houve golpes de Estado impulsionado pelo imperialismo.

Os golpes conduzidos pelo imperialismo têm o objetivo de aumentar a exploração dos países atrasados. Essa exploração acontece de duas formas: mais exploração dos trabalhadores e saque das riquezas nacionais, incluindo empresas estatais, infraestrutura e recursos naturais.

Daí a necessidade de golpes de Estado, para modificar os regimes políticos, tornando-os mais violentos contra a classe operária e suas organizações: movimentos populares, sindicatos e partidos políticos de esquerda em geral, começando pelos grandes partidos reformistas até então tolerados pelos regimes.

A repressão mais intensa é necessária para impor o programa do imperialismo nos países atrasados. Contra os trabalhadores, esse programa consiste em retirar direitos e reduzir salários e a aposentadoria. Contra o patrimônio nacional, a ofensiva imperialista consiste em assaltar as empresas estatais e recursos como petróleo, minério etc., e em destruir a economia local para que multinacionais dominem a economia nesse cenário de terra arrasada.

Nesse marco, o governo do golpista Michel Temer, e a própria sabotagem econômica antes dele para pressionar o PT e derrubar o governo, já está dando seus frutos. Segundo reportagem da Folha de S. Paulo publicada no último dia 30 (“Investidores estrangeiros miram serviços públicos e varejo no país”), os investimentos externos no setor de “serviços” (eletricidade, transporte, varejo e saneamento), cresceu de janeiro a julho 36% em relação ao mesmo período do ano passado.

Enquanto o golpe avança, aumenta o controle estrangeiro sobre a economia nacional, cada vez ainda mais dominada por países imperialistas ou pelo capital imperialista alocado em determinados países atrasados e paraísos fiscais. Além dessa colonização da economia nacional, há também a liquidação do patrimônio brasileiro promovida por Temer por meio das privatizações e da venda da Reserva do Cobre e do pré-sal.

Os coxinhas, quando participavam como figurantes na farsa montada pela imprensa burguesa para ser apresentada como “apoio popular” ao golpe, levavam bandeiras do Brasil para se manifestar. É possível que nem todos eles soubessem que estavam apresentando um produto à venda para os gringos. O Brasil está sendo leiloado e vendido barato. É possível que alguns desses coxinhas, coitados, tenham acreditado estarem encampando uma luta patriótica.

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