Tratamento do policial que agrediu estudante demonstra o caráter do Estado Burguês

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No dia 24 de maio, um policial militar invadiu a escola estadual Campos Teixeira, localizada no bairro Ponta da Terra, em Maceió (AL), e agrediu violentamente um dos estudantes do colégio. Segundo o corregedor-geral, o coronel Reinaldo Santos, “a reclusão dele começa nesta terça-feira (22) e segue por oito dias”.

Ou seja, fica observável dois fenômenos nestes fatos. O primeiro é o caráter da Polícia Militar. Fica claro que a PM é uma organização criminosa que serve apenas para a repressão. Para os que moram em Alagoas, a violência com a qual os policiais tratam as pessoas, e as submetem a humilhações, é evidente no dia a dia, mesmo que seja nas áreas mais nobres da cidade.

Um dos exemplos que poderiam ser usados são os “baculejos” (abordagens policiais) regulares que acontecem todos os domingos na “Rua Fechada”, na orla de Maceió. Jovens de periferia, que simplesmente vão para orla se divertir com o resto da população, são abordados de maneira agressiva e humilhante, na frente de todo mundo, por tropas de elite da polícia, como a OPLIT e o BOPE. Além de que, assim como no Rio de Janeiro e no resto do país, a PM é reconhecida pelas chacinas diárias que promovem nos bairros populares, onde mora a classe trabalhadora.

Em segundo lugar, podemos observar outro fenômeno. O tratamento dado aos policiais criminosos não é o mesmo dado à população pobre no geral. Rafael Braga, um jovem negro, catador, em 2013, foi preso por portar com ele uma garrafa de pinho sol e outra de desinfetante. Sob alegação de que seriam materiais para produzir um coquetel molotov, a justiça o condenou a quase 6 anos de prisão, onde ele viveu diversos horrores, ficando 1 mês na solitária. Saindo em 2015 da prisão, indo cumprir pena em regime aberto com tornozeleira, foi abordado pelos policiais da UPP, que forjaram nele um kit flagrante com 0,6g de maconha, 9,3g de cocaína e um rojão, quando foi espancado e levado para a delegacia. E foi condenado a 11 anos de prisão por tráfico e associação ao tráfico.

O caso de Rafael Braga é exemplar. Percebe-se o tratamento pelo qual passa a maior parte da população pobre e negra do Brasil, o país onde as pessoas são encarceradas em grandes depósitos humanos sem estrutura, sem mesmo terem sido julgadas. Já no caso do policial que agrediu um estudante, são apenas 8 dias de reclusão no quartel, podendo voltar a exercer sua função depois. Demonstra que a repressão das classes dominantes é legalizada. A PM pode entrar no Carandiru e matar 111 pessoas ou promover diversos outros tipos de chacina, e mesmo assim sair impune.

A PM é uma organização fascista, racista e assassina, a serviço das classes dominantes, do Estado Burguês, para reprimir a classe trabalhadora. Uma verdadeira organização de mafiosos corruptos que são protegidos por seus capangas do poder público. Ao contrário do que afirmam o PSOL e o PSTU, o policial não faz parte da classe trabalhadora, mas é sim, seu inimigo jurado. A polícia é a entidade que demonstra, na prática, o que é luta de classes; fazem o trabalho sujo da burguesia. A luta dos trabalhadores deve ser a luta contra o golpe, e isso inclui a luta contra a repressão policial e o avanço do fascismo, isto é, a luta contra a repressão estatal, que ataca, antes de tudo, os direitos dos trabalhadores, sobretudo os negros.

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