Dirigente do PCB/Andes procura esconder a cumplicidade com os golpistas atacando Lula

Compartilhar:

Uma sórdida campanha de perseguição política está em marcha contra o ex-presidente Lula. A condenação sem provas pelo juiz Sérgio Moro, e a intensificação dos ataques da imprensa capitalista contra Lula evidenciam de maneira cabal que o objetivo da burguesia golpista é aprofundar ainda mais os ataques contra os trabalhadores, por isso pretendem de maneira fraudulenta impedir que Lula, principal liderança política do país e representante do partido deposto pelo golpe de Estado possa concorrer em eleições presidenciais.

Em tal conjuntura política, a esquerda pequeno burguesa mais uma vez vacila, tendo inclusive setores abertamente pró-golpe como o PSTU e tendências do PSOL (CST e Luciana Genro/Mes) que apoiam o suposto “combate a corrupção” e fazem coro com Sérgio Moro na perseguição ao ex-presidente Lula. No que se refere ao posicionamento do PCB sobre a questão remeto o leitor ao artigo no DCO (PCB: nem prende Lula, nem solta, nem muito pelo contrário).

Os setores que negam até hoje que ocorreu o golpe e grupos que não lutaram contra o golpe como o racha do PSTU e setores do PSOL acusam o PT de abandonar a luta contra o golpe (luta essa que eles sequer travaram) em troca da campanha eleitoral Lula 2018. Estes setores, de maneira frenética estabelecem como eixo a construção de uma suposta “alternativa” eleitoral da “esquerda pós-petista”, apoiada pela grande imprensa golpista.

Pretendendo ir ainda mais longe no combate aos petistas e aos lulistas, Giovanni Frizzo, dirigente do PCB e um dos principais formuladores da política da diretoria do Andes (Sindicato Nacional dos docentes do Ensino Superior) resolveu não somente condenar qualquer aproximação com ex-governistas, como através de uma retórica completamente delirante distorcendo a realidade declarou de maneira solene em artigo no portal do PCB, que “ Lula 2018 é a melhor alternativa para a burguesia”.

Isso quando os fatos são: Lula é condenado por Sérgio Moro, existe uma campanha de ataques contra o ex-presidente pela quase totalidade da imprensa capitalista, havendo uma concreta ameaça do impedimento da candidatura, inclusive com a possibilidade de prisão.

Bem entendido, o golpe não se encerrou com a deposição da presidenta Dilma Rousseff, mas teve ai seu ponto de partida. A empreitada conservadora tem um alcance maior, visa uma reorganização completa do regime político, tornando-o ainda mais impermeável a participação popular, visando radicalizar ainda mais os ataques contra os trabalhadores. Impedir a candidatura Lula e com isso atacar ainda mais organizações sindicais e populares, bem como a livre escolha democrática do próximo presidente são pontos chaves na continuidade do golpe.

Mesmo depois dos virulentos ataques do governo golpista contra os movimentos sociais e os direitos históricos do povo, como a aprovação da PEC 241, a reforma trabalhista e os desmontes da universidade pública, o diretor do Andes continua apresentar a surrada e desmoralizada posição sectária herdada do PSTU, que “todos são iguais”, que o PT é igualzinho a direita, “argumento” usado para não se lutar contra o golpe da direita, pois seria a defesa do “ governismo” ( sic).

“Com maior ou menor intensidade e truculência, o projeto político representado por setores mais conservadores – PSDB e DEM – e o projeto do campo democrático- popular – PT e PCdoB – têm os mesmos fundamentos e intencionalidades.

O anti-Lulismo e anti-petismo dos coxinhas “vermelhos” do PCB nada mais é de que anti-comunismo da UDN reacionária

O anti-petismo doentio presente tanto na direita coxinha quanto nos coxinhas de esquerda é o fio condutor do texto em questão. Assim, não é preciso desenvolver nenhum tipo de argumento, basta apenas de maneira moralista lançar acusações contra Lula e o PT para “ justificar” a tese fundamental de que Lula é “demônio traidor”, e os “petistas são corruptos e vendidos para a burguesia, assim em 2018, a principal opção da classe dominante seria a volta do PT.
“Lula é a expressão dos demagogos que são “os piores inimigos da classe operária”, como diria Lênin.

A retórica anti- lulista e anti-petista é um mantra atual da direita, uma forma reciclada do “anti-comunismo” dos anos 60. Os coxinhas de esquerda, mesmo os que usam o rotulo de “ comunistas”, como Giovanni Frizzo, usam dessa retórica coxinha para destilar acusações contra todos aqueles que ousaram defender a necessidade luta contra o golpe da direita.

Para justificar que os trabalhadores e os docentes das universidades devem priorizar a refrega contra um governo deposto, invés de enfrentar a direita que realiza um formidável ataque hoje usando a máquina do Estado, o autor do texto afirma que “Basta recuperar a história recente”, então como nos enfadonhos discursos ultraesquerdistas da diretoria do Andes é apresentado uma lista de ações dos governos do PT, que seriam contra os trabalhadores, tal lista inclui a condenação de programas como o Bolsa Família e Minha Casa, Minha vida. Essa posição é reveladora do caráter impopular da crítica ultra esquerdista, aproximando também neste ponto dos setores mais direitistas que atacam os programas sociais dos governos petistas. Certamente os coxinhas de “esquerda” e de direita devem estar aplaudindo conjuntamente os cortes promovidos por Temer no Programa Bolsa Família.

Perante a audiência universitária pretensamente ” comunista”, o autor do artigo, que também é secretário de Formação Política do PCB-RS, procurou rechear seu texto com citações e analogias retiradas da obra do revolucionário russo Lênin para justificar a posição de rejeição “aos conciliadores” e esconder participação do autor em frente única com a direita para combater Lula.

Para esta finalidade, o autor utiliza o velho método oportunista de canonizar um autor para usar o nome e autoridade de um revolucionário para aplicar uma política contra-revolucionária.

Esse fato foi denunciado pelo próprio Lênin na abertura do livro Estado e a Revolução, que aparece por sinal como referência principal no texto do articulista do PCB. ” tenta-se transformar-los em ícones inofensivos, canoniza-los, por assim dizer, conceber ao seu nome uma certa glória para ‘consolar” as classes oprimidas , por assim dizer, e para enganar, castrando o conteúdo da doutrina revolucionária, embotando o seu gume revolucionário, vulgarizando-o” ( Lênin, O Estado e a Revolução). Evidentemente que neste ponto não podemos acusar o diretor da Andes de ser o inventor do método, é digamos uma tradição histórica do PCB e do stalinismo, que aplicou isso como ninguém com a obra de Lênin.

Neste sentido, as posições ultra esquerdistas apresentadas pela esquerda pequeno burguesa no golpe de Estado no Brasil em 2016 e defendidas de maneira intransigente por Giovanni Frizzo são apenas uma caricatura sectária de leninismo. Na verdade, a posição de igualar o PT a direita, de combater como inimigo preferencial a ” social-democracia” do que o nazismo é própria da política capituladora do stalinismo diante do nazismo na década de 30 na Alemanha.

Um exemplo cabal de conciliação de classe e de “pântano oportunista”: a frente única da diretoria do Andes com a direita golpista

Apesar de todo contorcionismo retórico e das citações de Lênin sobre o pântano ( a propósito o trecho citado não é do Livro Estado e a Revolução, mas do Livro Que fazer?), o autor não consegue disfarçar a profunda decepção da esquerda pequeno burguesa( em especial do consorcio oportunista do Andes), que esperava que depois dos virulentos ataques da burguesia contra Lula, o povo acataria a retórica coxinha golpista e abandonaria de maneira instantânea as direções tradicionais conciliadoras.

O governo Dilma caiu fruto de um golpe de Estado. Diga-se de passagem, com a completa omissão da diretoria do Andes, que se negou de maneira absurdamente obtusa em lutar contra o impeachment fraudulento da direita, fato esse que torna o consórcio da esquerda burguesa que dirige o Andes com mão de ferro em cúmplice da direita golpista.

No mundo fantasia dos ultra-esquerdistas do Andes, nunca houve golpe da direita, tudo não passou de um truque dos cutistas para defender o governo Dilma.

Agora, a esquerda pequeno burguesa, através dos “marxianos” do PCB transformaram a fantasia em desatino, e criam uma engenhosa “análise” que afirma que a burguesia resolveu tirar o PT, apenas como um castigo temporário, para depois eleger novamente Lula, para continuar com a mesma política de sempre.

Não podemos nos enganar com a conversa fiada dos “marxianos” que citam Lênin à exaustão e apresentam a noção de que Lula é isso ou aquilo e que todos são iguais apenas para esconder uma profunda covardia política da esquerda pequeno burguesa diante do golpe da direita no Brasil.

É preciso ressaltar ainda, que dentro do consórcio oportunista da diretoria do Andes, tem diretores ligados ao PSTU (que por sinal tem sua própria central sindical CSP-Conlutas, que o Andes equivocadamente participa) e ao PSOL que defendem o “Fora Maduro” ou seja o golpe na Venezuela. Neste caso, isso não é apenas oportunismo nem conciliação de classe, que o autor do texto criticado diz ser contra, mas é uma posição abertamente anti-leninista e pró-imperialista.

artigo Anterior

Deve-se chamar o Estado para combater o fascismo?

Próximo artigo

Golpistas dão 13 aeroportos de presente para os capitalistas

Leia mais

Deixe uma resposta