Chico Buarque não é “inatacável”, a direita que o diga

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“Ninguém é inatacável”, este é o argumento que a direita usa quando quer liquidar um inimigo que se destaque em alguma área, seja na literatura, na música ou no esporte.

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É assim, por exemplo, que o mundo dominado pelo imperialismo “perna dura” procura convencer os brasileiros de que Pelé, apesar de ser o maior jogador de futebol da história, não merece nosso respeito. É assim que a direita procura afundar Machado de Assis, um “negro que não gostava de ser negro”. 

Procuram assim convencer o brasileiro de que todos os seus ídolos são uma grande farsa e, para isso, valem as calúnias e a demagogia bem ao estilo de “Zumbi lutou contra a escravidão mas escravizava os negros no Quilombo”.

Como se os insetos direitistas se preocupassem com os negros, com o futebol, com as mulheres, enfim, com o povo brasileiro.

É nessa linha que vão as críticas à nova música de Chico Buarque. E a esquerda pequeno-burguesa, que há muito mostrou ser um capacho da direita, deu munição para atacar o compositor, que é uma espécie de monumento vivo da cultura popular e que, por ter se colocado claramente contra o golpe, se tornou um dos alvos preferidos dos coxinhas.

Mas o que importam as posições políticas de Chico, os ataques que vem sofrendo da direita fascista – que chegou ao ponto de hostilizá-lo e quase agredi-lo em um bar em Ipanema? O que importa a luta política, não é mesmo? Chico não é “inatacável”. Não mesmo: a direita coxinha tem o atacado incessantemente. E eis que um punhado de esquerdistas pequeno-burgueses em nome do “feminismo” ataca Chico porque sua nova canção, “Tua Cantiga”, é “machista”.

Até mesmo um colunista do Globo, Leonardo Trigo – porque a Globo se transformou, na cabeça vazia dos defensores do “lacre e do empoderamento”, na maior defensora das mulheres e dos LGBTs -, aproveitou para tirar uma casquinha de Chico Buarque. Mas qualquer relação com a posição de Chico sobre o golpe é mera coincidência… 

Antes de mais nada, é preciso dizer que “acusar” a nova música de Chico de “machista” é uma infantilidade. Nada ali remete a isso, nada! Como já dissemos em outras ocasiões, esses pequeno-burgueses faltaram nas aulas da oitava série em que a tia Rosana ensinou a interpretar textos. Aí, para eles, interpretação de texto é o que eles acham ou o que querem que o texto esteja dizendo. Talvez um caso de analfabetismo funcional.

Em segundo lugar, é preciso dizer que não é possível impor a uma obra de arte, unilateralmente, determinado julgamento moral, esse julgamento exigiria muitos elementos antes de uma conclusão definitiva. Mas, e se a música fosse realmente “machista”? Chico ou qualquer outro poderiam ser criticados? Poderiam. Mas o que há no caso não é uma simples crítica, no sentido científico da palavra, mas uma santa inquisição moralista que procura dizer o que é “bom e o que é ruim” e lançar tudo num grande índex moral da esquerda pequeno-burguesa. Inclusive, o moralismo nesse caso da música é a defesa do lar e da família, já que se critica que o personagem da canção afirma que “largaria mulher e filhos”. Viva a TFP!

Machista ou não, Chico e qualquer outra pessoa podem falar o que quiser e tudo o que quiser. A música é dele e de seu parceiro Cristóvão Bastos e ninguém tasca.

Infelizmente, ainda não tive acesso a todo o disco, com data de lançamento marcado para o próximo dia 25 de agosto. Até lá, esperamos outras músicas “machistas” de Chico, porque, como bem disse a colunista do DCM, Nathalí Macedo, “Qualquer musiquinha de Chico é melhor que os singles de alguns dos lacradores da neoMPB”. Falou tudo!

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