Hip Hop, 44 anos de uma cultura negra de resistência

Compartilhar:

Na sexta-feira, dia 11 de agosto, comemorou-se 44 anos do movimento Hip hop, com direito a doodle no google e até aos internautas fazerem “seu” próprio som.

Na década de 1970, uma expressão cultural que incluía o rap, djing, breakdance e o grafitti, surgiu entre os latino-americanos, jamaicanos a afro-americanos na cidade de Nova Iorque, no sul do Bronx, tendo em Afrika Bambaataa seu representante fundador. Esse movimento se tornou socialmente influente.

O Bronx, berço do movimento sempre foi uma região pobre, onde não havia espaço para que os jovens se expressassem. Assim, acabaram por se organizar ali mesmo, nas ruas, de onde o surgimento dos bailes de rua, por exemplo. Ou seja, o movimento hip hop já nasce entre os negro e pobres, e portanto, desde seu nascimento, é um movimento de afirmação cultural entre os negros que enfrentavam diversos problemas sociais como a miséria, violência, racismo, tráfico de drogas, carência de infra-estrutura, problemas de educação entre outros.

No Brasil, o movimento encontrou espaço para se propagar, principalmente em São Paulo, em meados dos anos 1980, quando encontros de rua aconteciam na 24 de Maio e no metro São Bento, e dali saíram muitos nomes hoje conhecidos na cena hip-hop bem como em outras vertentes, tais como Thaide , Racionais MC’s, Rappin Hood e DJ Hum, para citar alguns exemplos.

O movimento Hip Hop, como forma de luta e resistência na cultura negra, pode ser facilmente identificado em suas letras que denunciam o racismo, a desigualdade as mortes nas periferias e principalmente apontam os problemas políticos, claramente voltado contra a burguesia.

Assim sendo, podemos dizer que o movimento Hip Hop é muito mais que elementos de música e dança para estabelecer uma cultura, para além da diversão e das homenagens no Google, o movimento Hip Hop tem sido parte da luta e preocupação social.

Por isso, não é de se estranhar os ataques sofridos pelo movimento negro por parte de grupos de direita, dentre eles o hip hop, o graffiti, que não são vistos como arte de expressão popular. Um exemplo foi a eliminação dos grafites dos muros de São Paulo pela gestão Doria (PSDB). Outro foi o fato de que recentemente, a casa do Hip-hop, em São Bernardo do Campo, recebeu ordem de despejo. Em seu acervo há obras assinadas pelo “fundador” do hip hop Afrika Bambaataa, mas para a direita nomes como este não têm valor cultural, a menos é claro, quando lotam suas casas de shows, gerando renda. Pois em tudo que pode os tentáculos do capitalismo se estendem, seja o movimento feminista ou movimento negro, uma vez abraçados pelo capitalismo, perdem sua essência e se transformam apenas em mercadorias para determinado tipo de público, com neologismos e endossados por uma pequena burguesia iludida que imagina fazer parte de uma grande transformação social, porém na verdade cai em armadilhas e enfraquece os movimentos, desviando diversos setores das lutas centrais.

artigo Anterior

MRT esbraveja por não ser aceito no PSOL

Próximo artigo

Hinos de futebol ao som de orquestra no Espírito Santo

Leia mais

Deixe uma resposta