Chico Buarque: feminismo ou expressão artística sob controle?

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Mais uma vez Chico Buarque foi alvo de uma campanha da direita. Desta vez, no entanto, ela apareceu sob a cobertura de uma política esquerdista, a do feminismo.

A questão se deu em torno da nova canção do cantor e compositor, intitulada “Tua cantiga”, que compõe seu 23º álbum, “Caravanas”.

A primeira pessoa que se colocou contra o suposto machismo da música de Chico Buarque foi a jornalista do jornal golpista O Globo, Flávia Azevedo. Em seu artigo, “O amor datado de Chico Buarque”, a jornalista afirma que essa nova música foi “Uma deselegância, uma sacanagem, uma coisa feia e desnecessária. Esse cara, esse personagem trazido por Chico (e tão conhecido entre nós) não faz mais sucesso. Porque a gente mudou e até o nosso romantismo está, sim, numa outra vibe.”

E como de costume, assim que a Globo se posicionou, a militância da esquerda pequeno burguesa correu atrás de reproduzir as “sábias” palavras da jornalista. Flávia Azevedo se posiciona contra Chico por ser uma mulher “empoderada e moderna demais”, porém se calou diante de todo machismo e jogo sujo que seus patrões promoveram contra a presidenta Dilma Rousseff durante a derrubada de seu governo em 2016.

O ataque contra Chico tem um fundo bastante político, ainda mais quando vem daqueles que auxiliaram o golpe de estado no Brasil. Chico Buarque é de esquerda, e sempre foi um apoiador do governo do PT. O cantor lutou contra a ditadura militar e sofreu inúmeros ataques de coxinhas durante a campanha direitista contra o governo petista. Nada mais conveniente do que atacar o compositor usando a imprensa burguesa, e recitando jargões da moda como “machismo” e “empoderamento” para desqualificar sua arte. A demagogia é a forma favorita da direita se mostrar democrática e da esquerda pequeno burguesa fazer “justiça”.

Mais uma vez a esquerda pequeno burguesa reverbera a campanha direitista da imprensa capitalista. Atacam Chico Buarque, um antigo militante de esquerda e aplaudem programas e textos “empoderados” da Globo golpista.  Mais do que defender a obra de Chico Buarque, que se defende por si só, deve ser chamada a atenção nesse caso para a rapidez com que a direita lançou um ataque pseudo-esquerdista contra o compositor.

E conseguiu angariar o apoio da esquerda pequeno-burguesa em razão das concepções dogmáticas dessa no que diz respeito à expressão e à arte. A tentativa de enquadrar a atividade artística em dogmas que determinadas pessoas tem na cabeça deve ser rejeitado veementemente. Se um setor do movimento feminista tem uma determinada concepção sobre o que é a luta das mulheres atualmente, tudo bem, mas que fique claro que suas concepções não devem cair sobre a arte.

Se determinada música, filme, arte, não se enquadrar nos cânones religiosos do movimento feminista da esquerda pequeno burguesa está condenado, como uma espécie de pecado social. Essa atitude vem da esquerda com a colaboração da direita e deve ser rejeitado. Não é possível, nem desejável, que Chico Buarque ou qualquer outro artista se limite por um manual de regras de boa conduta, seja da esquerda ou da direita. Que fique claro que no que diz respeito a arte, tudo é permitido.

A arte não deve ser guiada por nenhuma ideologia, nem pelo marxismo, que dirá pelo feminismo. O artista fala o que quer e deve ser julgado pelos seus próprios termos, e não por qualquer outro molde ideológico.

 

 

 

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