Meia dúzia de “sindicalistas” elegem “representantes” de milhares de professores

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Realizou-se no início da tarde do último dia 10 de agosto, na sede do Sinpro- São Paulo (Sindicato dos Professores da rede privada de ensino do município de São Paulo), assembleia para o que devia ser a eleição de delegados ao Congresso da FEPESP (Federação dos Professores do Estado de São Paulo) a realizar-se nos dia 22, 23, e 24 de setembro.

Como já havíamos denunciado em nossa edição  de 5 de agosto, a direção do Sinpro-SP, maior sindicato entre os 26 sindicatos que compõe a federação, escondeu literalmente esta assembleia de todos os seu 25 mil filiados, professores da rede privada da capital paulista.

Já estava a se desenvolver um verdadeiro golpe contra os professores das escolas particulares e Universidades, pois no exato momento em que o golpe de Estado atinge em cheio os docentes, com demissões, atrasos salariais, retiradas de direitos, terceirizações entre outros ataques que estão à porta dos trabalhadores, a diretoria do sindicato sequer anunciava em sua página principal, do site da entidade a realização da assembleia geral chamando a categoria a participar. Sabotando a mobilização geral da categoria para tão importante debate e organização da luta dos professores. Pois o Congresso Sindical de uma categoria é seu órgão democrático máximo, onde os representantes eleitos por seus pares nos locais de trabalho ou em assembleias conclamadas para este fim tem a responsabilidade de definir os rumos da luta de uma categoria.

Mas mostrando que está na oposição à mobilização e a luta dos professores, pois em um momento em que os grandes capitalistas do ensino privado atacam os direitos, os salários e os empregos de seus trabalhadores, como são exemplos as mais de 220 demissões na FMU, a greve na Unisantana, contra o atraso no pagamento dos salários, ou ainda as demissões na rede Sesi, para implementação da reforma trabalhista de Paulo Skaf, os  burocratas sindicais do Sinpro-SP e da Fepesp apenas para determinar sua perpetuação como dirigentes de uma categoria proíbem de participar do seu principal foro de decisão os seus milhares de filiados, através de um verdadeiro golpe

Bem, vamos a ele. Após a sabotagem total à convocação dos professores, apenas um único professor da base da categoria, da corrente, Educadores em Luta – PCO, compareceu à assembleia, de certa forma frustrando o plano de esconder da categoria o golpe contra ela, além do professor, cerca de quinze diretores sindicais e funcionários do sindicato se encontravam no auditório do Sinpro-SP, localizado à rua Borges Lagoa, quando do anúncio, logo no primeiro minuto da assembleia, por diretor do sindicato, indicado pelo presidente Luiz Antônio Barbagli do nome de 53 delegados biônicos, que sequer um quarto dos mesmos se encontrava presente no auditório, como já definidos para serem os representantes do Sinpro-SP ao 9° Congresso da Fepesp.

A diretoria passou a encaminhar a realização da “assembleia”,  mesmo sem haver quórum estatutário para tal decisão, para a votação. Foi quando imediatamente o companheiro de Educadores em Luta-PCO pediu a palavra e denunciou o golpe em marcha, mas ali naquele plenário, só haviam golpistas contra a categoria. O companheiro esclareceu que em primeiro lugar a assembleia foi escondida da categoria, e que um fórum de tamanha envergadura, que é um congresso sindical deveria ter ali presentes centenas de professores, principalmente dos setores mais atacados pelos capitalistas da educação neste momento como os professores da FMU, da Uni-Santana, do Sesi-SP etc. e que àquele fato ali apresentado era um golpe contra os milhares de professores da capital paulista que não poderiam eleger seus representantes para o Congresso Sindical deliberar um plano de lutas contra as demissões, contra as terceirizações, contra a retirada de direitos, contra o brutal arrocho salarial imposto na rede privada de São Paulo nos últimos meses, contra a reforma trabalhista, contra o fim da previdência.

No entanto, a categoria não foi chamada a participar do 9° Congresso (que deveria ser da categoria) chamado pelos golpistas sindicais de “Resistência e Unidade”. O que está em jogo neste congresso é a boquinha dos sindicalistas, pois ao final da farsa do mesmo, será eleita a nova direção desta entidade sindical pelos próximos três anos. E a direção do Sinpro – SP sabe que os professores não dão apoio a esta direção sindical, portanto, não os convocaram, sequer os delegados sindicais (representantes eleitos, que são um elo entre os professores e o sindicato)da categoria foram chamados para a assembleia, o único delegado presente, foi o professor da corrente Educadores em Luta-PCO, que por acompanhamento minucioso dos sites das entidades sindicais, descobriu a data da assembleia.

 

Golpe, numa entidade dominada por golpistas

 

O escândalo desta assembleia do Sinpro-SP para a tirada de delegados ao congresso que deveria ser da categoria, fica ainda mais escancarado pela presença entre seus membros do próprio presidente da Fepesp, o professor Celso Napolitano (sentado no canto e no fundo do auditório na foto acima), que dirige a entidade estadual há anos, ou seja, o golpe muito provavelmente está sendo dado em todo o Estado contra os professores das particulares, pelos  26 sindicatos afiliados. O presidente da Federação dos professores, em seu sindicato, organizou o golpe contra a categoria.

A própria direção da entidade Fepesp, que há muito tempo possui e aceita em suas fileiras direções sindicais de Sinpros,  que apoiaram o golpe de Estado contra Dilma Rousself e o povo brasileiro, como sindicatos dirigidos pela Força Sindical, ou como o sindicato de Guarulhos, dirigido pelos golpistas do “Fora Todos!” do PSTU, mostra-se uma direção totalmente comprometida com interesses capitalistas e antipovo, apesar de seu presidente haver se posicionado contra o golpe em assembleias da categoria, a entidade dirigida por ele está do outro lado da barricada, contra os trabalhadores.

É preciso denunciar este golpe em toda a categoria. Dado contra os interesses de categoria. Uma traição e escandalosa fraude contra trabalhadores no momento em que é preciso organizar a luta contra as demissões, a terceirização,  fim das aposentadorias, pela reposição da perdas e contra todas os resultados do golpe de estado.

Não aos congressistas biônicos! Delegados eleitos democraticamente por escolas e universidades.

Não ao Congresso Golpista da Fepesp! Por um congresso de base dos professores da rede particular de ensino.

Os professores da rede particular de ensino devem denunciar esta situação e exigir a organização da luta pela base, com delegados eleitos por escolas e comprometidos com a luta contra os ataques aos direitos dos trabalhadores impostos pelos golpistas do país.

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