Doria quer espionar paulistanos com drone

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A prefeitura de São Paulo tem se utilizado de drones para vigiar a população desde maio deste ano. As imagens filmadas são transmitidas ao vivo, pelo facebook, a um grupo fechado de funcionários de cerca de 30 pessoas e têm acesso restrito.

A Secretaria de Segurança Urbana alega serem os drones ferramentas fundamentais para prezar pela segurança pública, enquanto o que percebemos é que eles são apenas outro instrumento de opressão utilizado contra a população.  A Guarda Civil Metropolitana atua em conjunto com a Polícia Militar e a prefeitura para controlar e vigiar ainda mais os cidadãos em situação de vulnerabilidade da cidade, em nome da “ordem”.

Em São Paulo, os drones já foram utilizados em situações de grandes aglomerações, como na Parada do Orgulho LGBT e na Marcha para Jesus; em manifestações, claro, e também sobre a população em situação de risco, como na Cracolândia, local considerado “prioridade” como local a ser vigiado, e em áreas ocupadas por movimentos de moradia.

“Vamos acompanhando o processo de limpeza [da cracolândia], de zeladoria da prefeitura, e a virada do fluxo, que é quando o pessoal começa a brigar entre si ou quer entrar em choque com a GCM”, diz José Roberto Rodrigues de Oliveira, secretário da pasta de Segurança Urbana em entrevista ao G1, demonstrando que a postura da prefeitura é claramente de ataque à população civil, tratando a cidade como uma grande penitenciária, com vigia 24h e retaliação ao menor sinal de desconformidade.

Drones são pequenas aeronaves controladas por controle remoto, que conseguem passar despercebidas e não tem nenhum indicativo visível de a qual grupo ou pessoa pertencem enquanto sobrevoam os céus. Têm se popularizado em todo o mundo, a ponto de os militares americanos aprovarem, recentemente, medida que permite às Forças Armadas dos EUA abater livremente esses veículos, quando se sentirem ameaçados. No Brasil, todos os drones utilizados devem ter autorização da Anatel para isso, e também devem ser comunicados ao Departamento de Controle de Espaço Aéreo (Decea), órgão da Força Aérea Brasileira, com 48 horas de antecedência. Todos os voos de drones pela prefeitura já estão liberados de antemão, num acordo tácito junto à PM e ao Decea.

O Prefeito Dória lançou este programa de monitoramento espionagem da cidade, chamado Dronepol, em meados de abril, e já conta com cinco aeronaves doadas pela iniciativa privada. A Dahua Technology, empresa chinesa, doou, além dos drones, 15 kits com câmeras, e as doações vão desde aeronaves até atividades de capacitação operacional e apoio estratégico.

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