A direita quer um Pinochet na Venezuela

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Há quase duas décadas, a Venezuela está sob uma contínua campanha golpista. Desde 1998, quando Hugo Chávez venceu as eleições presidenciais, a direita trabalha para derrubar o chavismo por fora das eleições. Naquela eleição, os dois principais partidos até então abriram mão de seus candidatos para apoiar um terceiro candidato, no esforço de tentar derrotar Chávez. Nada adiantou, o ex-militar rebelado que tinha tentado dar um golpe de estado em 1992, reagindo à catástrofe neoliberal que assolava seu país, era popular demais naquele momento para ser parado por manobras eleitorais da direita.

A eleição de Chávez era uma reação a uma catástrofe neoliberal provocada na Venezuela pela direita, que deixou o regime político em crise. Nessas circunstâncias, não conseguiram impedir sua vitória. Sem capacidade de voltar ao poder por meio das eleições, a direita começou sua campanha golpista. Em 2002, chegaram a tirar Chávez do poder por quase 48 horas. Tomaram o Palácio de Miraflores, sede do governo, e até anunciaram um novo governo. A reação popular, no entanto, foi avassaladora. As ruas de Caracas foram tomadas, e não havia consenso nas Forças Armadas de que Chávez deveria ser derrubado. O presidente foi reconduzido ao seu cargo, e o golpe fracassado custou caro para a direita.

A tentativa fracassada de golpe levou a um expurgo no exército. Desse modo, a direita começou a perder o controle sobre as instituições estatais. A partir daí, a direita foi contida por um certo tempo, procurando se mobilizar contra Chávez durante as eleições, com apoio de toda a imprensa burguesa. Até a morte de Hugo Chávez e a eleição, em 2013, de Nicolás Maduro. Desse momento em diante a direita passou a realizar protestos violentos e atentados terroristas para desestabilizar o governo, enquanto o país era sabotado economicamente e, novamente, o governo era atacado diariamente pela imprensa burguesa.

O último capítulo dessa história de golpismo da direita foi a tentativa de impedir a realização das eleições constituintes, no dia 30 de julho. Maduro convocou uma Assembleia Constituinte mais democrática do que qualquer Parlamento já eleito no país, com representantes de setores de trabalhadores e populares, e a direita resolveu boicotar o processo eleitoral, com a esperança de que a participação fosse baixa e permitisse uma tentativa imediata de tomar o poder à força, mais uma vez.

A manobra da direita foi um fracasso. Apesar das ameaças dos golpistas, que chegaram a matar um candidato constituinte e que queimam pessoas no meio da rua por terem “cara de chavista”, mais de 8 milhões de eleitores participaram da votação. Todos esses votos foram de apoio a Maduro, diante do boicote da direita. São mais de 40% do eleitorado, em eleições que não são obrigatórias, e representam um aumento do apoio eleitoral a Maduro em relação às eleições de 2013, quando derrotou a candidatura dos coxinhas com 7,6 milhões de votos.

Diante disso, a tendência da direita venezuelana é recorrer a métodos cada vez mais violentos, com uma frequência cada vez maior. Com o apoio do imperialismo, a direita está a ponto de arrastar a Venezuela para uma guerra civil, com a conivência de todos os governos capachos dos EUA na região, como por exemplo o governo golpista que usurpou a presidência no Brasil.

A violência da direita venezuelana contra o povo, como da direita de toda a América Latina, é uma tradição. Em 1989, durante o caracaço, uma revolta popular que explodiu em todo o país, a direita esmagou o povo. Segundo os dados oficiais da época, 276 pessoas foram assassinadas pela Guarda Nacional e pelo exército, que saíram às ruas para conter a situação. Estimativas extraoficiais chegam a até 3 mil desaparecidos. A direita promoveu um gigantesco massacre contra a população naquele dia, 27 de fevereiro de 1989.

Esse é o perigo que a direita representa para os trabalhadores venezuelanos. A direita do caracaço no governo terá que promover um massacre de proporções catastróficas para impor na Venezuela os retrocessos que o imperialismo planeja para o conjunto dos países atrasados. Na resistência ao golpe e à violência da direita ao longo das últimas décadas, os trabalhadores venezuelanos nos bairros populares se armaram para se defender e defender seus direitos.

Portanto, para que a direita aplique contra o povo venezuelano a hecatombe neoliberal, a repressão terá que ser muito dura. A vitória da direita significaria uma gigantesca carnificina. Enquanto faz campanha pela “democracia” contra Maduro, é isso que a propaganda imperialista, reproduzida na imprensa burguesa e golpista do Brasil, está defendendo de fato. Em nome da “democracia” estão prontos a apoiar um conjunto de atrocidades. Querem colocar um Pinochet na Venezuela, com chances de ser mais sanguinário que o próprio Pinochet original, diante das circunstâncias. Essa campanha cínica é, desde já, cúmplice de um potencial genocídio político.

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