A “reforma trabalhista” não ataca só os direitos, mas também as organizações dos trabalhadores

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A “reforma” trabalhista dos golpistas, que destrói a CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas), e portanto reduz drasticamente os direitos dos trabalhadores ao século passado, ao período anterior à era Vargas, terá seus reflexos a partir do mês de novembro.

A lei nova 13/429 autoriza a terceirização em massa, descaracterizando a lei anterior que proibia a terceirização de atividades fins, além do fato de que a terceirização reduz completamente os contratos de trabalho duradouros que produzem direitos trabalhistas por tempo de serviço.

A lei nova 13/467 aprovado pelo Congresso Nacional golpista ataca frontalmente os direitos garantidos na CLT, a começar pelo princípio jurídico do negociado vale mais que o legislado, ou seja, se os sindicatos, ou o próprio trabalhador quiser através de uma negociação rebaixar seus direitos, o Estado permitirá, já que o Estado não é mais tutor do trabalhadores.

Com a reforma capitalista os golpistas querem voltar ao inicio da exploração capitalista, aonde os trabalhadores teriam uma falsa liberdade de escolher o seu emprego, as condições de trabalho e de negociar em pé de igualdade com o patrão, ou seja, o liberalismo na sua essência.

No entanto, não basta aprovar uma lei que o obrigará os trabalhadores brasileiros do século XXI a trabalhar nas mesmas  condições  dos operários do século XIX, é necessário fazer que a nova lei não seja confrontada na luta, que ela de fato entre em vigor.

Diante disso, os golpistas, através do TST (Tribunal Superior do Trabalho) e de seu presidente golpista Ives Gandra Martins Filho, membro da Opus Dei ( setor de direita da igreja católica) e maior defensor no Judiciário da “reforma” trabalhista, irão ajudar os golpistas a colocar a reforma em prática, e se necessário deslegitimando as representações sindicais, agora ancorados na divindade da lei da “reforma” trabalhista aprovada pelos golpistas.

Pra se ter um ideia a demissão individual  ou coletiva para ser homologada não precisará mais de assistência ou concordância do sindicato.

Diante da possibilidade das negociações entre patrão e empregado poderem ser feitas pelos próprio trabalhador interessado, como a questão do Bancos de Horas, a tendência dos golpistas é desmantelar toda  a estrutura sindical existente, buscando acabar com a unicidade sindical,  legalizando por fora até do Ministério do Trabalho vários sindicatos de uma mesma categoria, na mesma base sindical, a fim de que o patrão escolha o sindicato que quer negociar.

Em dissídio coletivo da categoria dos Correios, em 2014,  o atual presidente do TST Ives Gandra, legitimou uma negociação com uma entidade sindical que sequer tinha registro no Ministério do Trabalho, a Findect (Federação Interestadual dos Correios),que foi criada pela própria direção da ECT, em detrimento da legitima representante da categoria, a Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores dos Correios.

Ou seja, o TST já promovia a divisão dos sindicatos antes mesmo da aprovação da “reforma” trabalhista, imagine o que esses golpistas estão dispostos a fazer agora, sob a cobertura da ideia fraudulenta de que o trabalhador é livre para escolher o seu emprego e suas representações.

Por isso, além da retiradas de direitos, a “reforma” trabalhista tem como tarefa atacar profundamente as organizações políticas da classe trabalhadora, afim de que os trabalhadores não consigam reagir no momento em que essas reformas começarem a surtir os seus efeitos devastadores, que é a super exploração da mão de obra e a demissão em larga escala.

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