Imperialismo manda, esquerda pequeno-burguesa obedece

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Julian Assange, fundador do Wikileaks e preso político internacional, publicou nota em seu twitter, na qual afirma que os Estados Unidos encontraram seu novo Iraque.

A referência é à Venezuela, país que, com folga, supera o Iraque na quantidade de petróleo em seu solo. Depois de cerca de uma década de ocupação militar, os Estados Unidos foram responsáveis pela morte de cerca de cem mil iraquianos, segundo a modesta contagem da IBC (Iraq Body Count). A guerra foi resultado de um não alinhamento da política de Saddam Hussein ao imperialismo. O governo de Hussein foi responsável por nacionalizar riquezas naturais e limitar a atuação de empresas estrangeiras na economia nacional. O povo iraquiano pagou caro por reclamar soberania.

No Brasil, alguns setores da esquerda tem uma análise diferente da de Assange. Acusam Nicolás Maduro de ditador, mesmo que o sucessor de Hugo Chavez tenha sido eleito em eleições livres. Apontam que o caos econômico na Venezuela é produto da incompetência do governo, e que este caos seria algo totalmente independente do boicote da burguesia nacional e das sanções econômicas internacionais impostas ao país.

Essa posição da esquerda brasileira é frequente nas últimas atuações do imperialismo no mundo. Egito e Ucrânia, dois exemplos recentes, tiveram sua soberania atacada por interesses estadunidenses, e em ambas ocasiões, a política dessa esquerda em questão foi a de atacar justamente as mesmas figuras políticas que eram sabotadas pelo imperialismo. Tudo sempre em nome da democracia, tanto por parte do império como da nossa esquerda.

Nesse sentido, o partido que apresenta maior contradição no tema da Venezuela é o PSOL. Ao passo que a liderança do partido publicou uma tímida nota em apoio à Maduro e à Assembléia Nacional Constituinte, duas figuras centrais do partido, e com grande alcance nas redes sociais, se rebelaram e se alinharam à política do imperialismo: os deputados Jean Wyllys e Marcelo Freixo.

O balanço da relação de forças na Venezuela tem demonstrado que a ofensiva do imperialismo em parceria com a direita do país pode produzir muito mais do que uma guerra civil. Uma intervenção militar norte-americana está na ordem do dia, caso Maduro não seja vitorioso e a Assembléia Nacional Constituinte não alcance seus objetivos. Para a esquerda anti-chavista no Brasil, essa hipótese de guerra e intervenção seria mero resultado da falta de vontade de Maduro dialogar com a direita.

Fica a pergunta: na hora de contar os corpos do novo Iraque, finalmente a esquerda brasileira descobrirá quem é a vítima e quem é o algoz?

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