Chapada Diamantina: donos de terras continuam o massacre dos trabalhadores

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A morte de seis trabalhadores rurais, moradores do Território Quilombola de Iúna, na Chapada Diamantina (Bahia), ocorrida na Segunda-Feira (07), caminha para figurar como mais um caso de morte irresolúvel na briga por terras. A morte de um líder dos trabalhadores, com traços claros de execução, foi contabilizada no mesmo Território Quilombola no mês de Julho. No mesmo mês, o Presidente da Associação de Trabalhadores Rurais da Comunidade Quilombola de Jiboia foi assassinado enquanto trabalhava.

A região onde ocorreu os oito homicídios é objeto de desavença, tendo sido aberto um processo de regularização fundiária junto ao Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária).

A polícia, em um primeiro momento, afirmou que havia grandes chances das mortes terem relação com o entrave entre latifundiários e trabalhadores. Segundo as autoridades, os fazendeiros da região querem expulsar os trabalhadores para impedir a conclusão da regularização do território, que está à iminência de ocorrer, o que ocasionaria a devolução das terras aos fazendeiros.

Contudo, em uma virada abrupta (e suspeita) da linha de investigação, a polícia civil da Bahia informou que as mortes dos seis trabalhadores chacinados não tem relação com a ação de latifundiários e fazendeiros, sendo, em verdade, fruto de acerto de contas entre traficantes de drogas (pretexto tradicional, diga-se de passagem). Para chegar a essa conclusão, a polícia partiu do princípio de que, como dois dos falecidos têm passagem na polícia por suspeita de envolvimento no tráfico de entorpecentes, a chacina das seis pessoas tem essa motivação.

A polícia, no marco do golpe de Estado, faz seu papel repressivo como sempre. Cede, como não poderia deixar de ser, aos interesses dos poderosos a fim de protegê-los. Fingem não notar que as zonas rurais do país estão sob intenso ataque de fazendeiros e latifundiários, que têm o intuito de assustar as populações inerentemente insurgentes. O acirramento da luta de classes, inflamado pela crise do próprio sistema capitalista – transliterada no colapso econômico e político das democracias ocidentais – reabrem a ferida nunca cicatrizada do massacre agrário.

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