Não nos iludamos: o objetivo é prender Lula

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A direita e o imperialismo não deram o golpe no Brasil apenas para derrubar Dilma. Essa deveria ser uma ideia bem clara para a maioria dos companheiros, ativistas, militantes e todos os trabalhadores que fazem parte do movimento de lua contra o golpe.

O golpe de Estado tem como objetivo não a simples troca de governo mas a modificação profunda do regime político no sentido de uma ditadura contra os trabalhadores e suas organizações. Não é mais possível para a burguesia, conviver com a participação, ainda que mínima, da classe operária no regime político. Ela precisa esmagar as organizações populares e os partidos que representam – de forma distorcida ou não – os trabalhadores. É aí que deve ser entendida a perseguição política contra Lula.

Para a direita golpista, acabar com Lula significa acabar com a representação das organizações operárias no regime político. Lula é parte da experiência política da classe operária brasileira das últimas quatro décadas. Não se trata de concordar ou não concordar com a política de Lula e do PT, mas de compreender que são parte de uma etapa de desenvolvimento político da classe operária.

A direita sabe disso. Por isso, é preciso tirar Lula de cena e assim abrir o espaço para tirar de cena também as organizações sindicais, populares e demais partidos de esquerda.

Por isso, a condenação de Lula por Sérgio Moro, a nova aceitação de denúncia agora relativa ao sítio de Atibaia, os ataques diários da imprensa golpista não são uma mera manobra eleitoral da direita. O poder eleitoral de Lula serve como medida de sua enorme influência em amplos setores das massas no País, mas esse problema está muito longe de ser apenas uma questão eleitoral.

Por isso, é preciso ter claro que o objetivo final da direita golpista é prender o ex-presidente. É preciso desde já denunciar essa perseguição política, alertar todos os trabalhadores sobre esse risco iminente e chamar a se mobilizar para impedir sua prisão. Sem isso, Lula está fadado a ser preso como ocorreu com outros dirigentes do PT. Não nos iludamos. Nesse sentido, não concordamos com o companheiro Eduardo Guimarães do Blog da Cidadania que procurou em artigo do último dia 6 de agosto, dizer que não haveria perigo de condenação de Lula na segunda instância do Tribunal Regional Federal da quarta Região (TRF4).

Nesse sentido, vale o que o próprio Guimarães fez quando houve a menor ameaça de prisão de Lula: denunciar, ou como dizemos no movimento sindical, botar a boca no trombone. Não dá para acreditar em nenhuma manobra e nenhuma boa vontade ou bom senso de juízes e desembargadores, a única confiança deve ser na luta política das massas mobilizadas.

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