CNPq: corte dos golpistas pode acabar com bolsas na UFRJ

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A UFRJ decidiu cortar as bolsas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) já para o próximo mês.

A situação é consequência dos cortes feitos pelo governo federal após o golpe de Estado e têm como consequência a paralisação de atividades básicas e essenciais das universidades e que resultarão no sucateamento do ensino público, das pesquisas e desenvolvimento do país.

O CNPq teve um corte de 44% do repasse de verbas pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, controlado por Gilberto Kassab (PSD). Devido a este corte, o órgão atingiu o teto orçamentário com os pagamentos de agosto e está pedindo ao governo o repasse de mais verba para honrar os compromissos até o final do ano.

O Conselho é responsável pelo pagamento de 50% das bolsas de Iniciação Científica e Iniciação Tecnológica na UFRJ, mas outras instituições que também financiam a área, como a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ) e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

A própria reitoria reconhece que esta situação não é exatamente fruto da crise econômica, mas um problema político. “Avaliamos que há um projeto político em curso, que se concretiza em um ataque e desmonte da Ciência e da universidade pública no Brasil, que acarretará prejuízos inestimáveis para toda a sociedade”, afirma nota publicada pela Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa, que ainda diz que este quadro pode levar ao fim do CNPq.

Os efeitos dos cortes do governo golpista começam a vir à tona e revelam a política de desmonte do ensino público e destruição da pesquisa e desenvolvimento tecnológico e científico do país. Para a direita que está no poder, o interesse é de privatizar todo o ensino, limitando ainda mais o acesso e a autonomia para a realização de pesquisas, principalmente no ensino superior. É preciso mobilizar toda a população contra os golpistas e pelo retorno do investimento na educação.

Nota do Comitê do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica sobre corte de bolsas do CNPq

O Comitê do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC) da Universidade Federal do Rio de Janeiro, reunido em sessão de 2 de agosto de 2017, vem a público expressar indignação com as notícias veiculadas em relação aos cortes no orçamento do CNPq e à suspensão do pagamento de bolsas de estudo. O programa de bolsas de iniciação científica e tecnológica é uma iniciativa única no mundo na formação de alunos de graduação, preparando gerações de pesquisadores e contribuindo para a soberania nacional. Os estudantes beneficiários têm a oportunidade de obter treinamento avançado em laboratórios de pesquisa, preparo para carreiras inovadoras, e inserção na Pós-Graduação.

Existente desde a fundação do CNPq, em 1951, o Programa de Iniciação Científica é um patrimônio da comunidade científica e de toda sociedade brasileira. Este Programa nunca sofreu descontinuidade mesmo em momentos mais graves de crise econômica e durante governos de diferentes matizes ideológicas.

Em um momento em que nos deparamos com cortes já concretizados na CAPES, FAPERJ e outros órgãos de fomento, estas notícias causam enorme preocupação em relação à continuidade do PIBIC, uma vez que o CNPq é responsável pela concessão de 50% das bolsas de Iniciação Científica (IC) e Iniciação Tecnológica (IT) na UFRJ.

Avaliamos que há um projeto político em curso, que se concretiza em um ataque e desmonte da Ciência e da universidade pública no Brasil, que acarretará prejuízos inestimáveis para toda a sociedade.
Repudiamos os cortes anunciados no orçamento do CNPq, compreendendo que estes inviabilizam a existência da própria agência e o futuro do país.

Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa
Universidade Federal do Rio de Janeiro

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