Lutemos por Rafael Braga, ou amanhã mesmo lhe faremos companhia

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Ele tinha ocupação lícita como funcionário de auxílios gerais no escritório de advocacia João Tancredo, também tinha residência fixa comprovada, não tinha “passagem” pela cadeia, tinha uma vida comum de trabalhador, mas era negro.

Por ser negro foi condenado por associação criminosa, foi preso sozinho, humilhado, torturado, silenciado pela força. Não tinha arma, não existe testemunha, não tinha drogas com ele, mas, por ser negro, teve um flagrante forjado. Tratado como cachorro pela Polícia Militar, que o torturou para falar qualquer coisa, que o arrastou favela abaixo, pelos braços, mostrando aos outros o que pode acontecer.

Nos noticiários afirmaram que uma promotora foi ela mesma soltar seu filho, no grito, e conseguiu, mas ele e ela eram brancos, o juiz que soltou também, também o era o delegado que prendeu, todos brancos. Esse fator é impossível ser apresentado na defesa de Braga, não dá para argumentar: “Rafael Braga é branco, por isso deve ser solto”.

Por Braga deputados, senadores, políticos, organizações e partidos já demonstraram apoio. Foram realizados atos contra sua prisão, denunciando o racismo do sistema penal. Advogados bem conceituados estão acompanhando o processo, foi apresentado um habeas corpus para sua soltura, que foi negado.

Mas Braga não é libertado. É como se fosse uma questão de honra da repressão do Estado: “não podemos soltar esse negro, pois outros negros podem querer sair”, ou “se soltarmos esse negro vão ver que todos os negros presos foram ilegalmente colocados em nossas masmorras”.

Ele, o negro ou Rafael Braga, tanto faz, diz que não foi ele, que não estava lá, que é trabalhador. Que não tem passagem, que não cometeu crime, que não usa drogas, que não porta drogas. Diz que tem família, que quer uma vida normal. Leva tapas na cara depois de dizer tudo isso, socos no estômago, empurrões, leva uma gravata, torcem seu braço até o limite dos nervos e ossos, e é algemado, preso e esquecido na cadeia. Um assassino fardado passa no rádio que está levando “mais um” para a delegacia.

O inferno de Braga é o inferno do povo negro brasileiro, tanto do negro preso quanto do negro liberto. Esse último tem uma probabilidade gigantesca de ser o próximo Rafael Braga, independente de sua classe social. Nesse exato momento, algum Rafael Braga está sendo torturado e preso.

O caso de Braga revela que nós negros, libertos, alforriados, estamos quase na mesma situação da escravidão. A qualquer momento nos devolvem para as senzalas, sob o argumento simples de que: somos negros.

Fica registrado, novamente, que a direita que deu o golpe de Estado quer que Braga seja o exemplo para os demais. A direita golpista já aumentou o encarceramento em massa; os homicídios cometidos pela PM, a volta das prisões em delegacias, etc. Com o golpe a escravidão vai voltando aos poucos.

Eu e você, negro, que lê esta coluna, que se prepare. Ou lutemos contra a direita racista, golpista, pela libertação imediata de Rafael Braga, ou amanhã mesmo faremos companhia para este rapaz, preso ilegalmente em 2013.

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