A democracia deles e a nossa

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Quando a burguesia fala em democracia podemos ter certeza que quer justificar o mais profundo massacre contra a população. Na Venezuela, os recentes episódios revelaram mais um vez que a direita não tem vergonha em ser cínica.

O governo Maduro pode ter muitos defeitos, mas se há um fato é que ele foi eleito democraticamente. Mas a direita pró-imperialista não se sente envergonhada com seu cinismo e acusa o governo de ser uma ditadura. E as acusações aumentaram agora que Maduro convocou uma eleição que aprovou uma Assembleia Constituinte, vencendo nas urnas aqueles que o acusam de autoritário.

Os “democratas” pró-imperialistas querem derrubar, não se sabe por que, um governo democraticamente eleito, mas o ditador é Maduro. São os mesmos que derrubaram Dilma Rousseff no Brasil, eleita com 54 milhões de votos, sem nenhum motivo, um golpe antidemocrático, e do mesmo jeito que fazem na Venezuela, acusam o PT – o eleito que levou um golpe – de ser autoritário.

Essa “democracia”, que serve apenas para justificar o aumento do poder do imperialismo sobre os povos do mundo todo, nós dispensamos. A experiência brasileira, dos “democratas” que deram o golpe para acabar com todas as riquezas nacionais, todos os direitos do povo, é mais do que o suficiente para entender o que significa quando o imperialismo clama por ‘democracia” na Venezuela.

Para o povo – e é por isso que Maduro ainda não foi derrubado apesar de toda a pressão e boicote do imperialismo – a palavra democracia não resolve o problema. Sem direitos trabalhistas, sem economia nacional, sem previdência, sem as mínimas reformas sociais feitas pelos governo nacionalistas como Maduro, a palavra “democracia” pode e deve simplesmente ser jogada no lixo.

Mas apesar de toda a campanha do imperialismo, reproduzida pelos jornais golpistas brasileiros, Maduro é democrático até demais. A direita que quer dar o golpe só entende a linguagem da força, mas a única força possível é a do povo mobilizado. Maduro é chamado de ditador por ações democráticas que toma, como o referendo para a Assembleia Constituinte. Para derrotar a direita, ele precisará de muito mais do que isso. Precisará de um governo que dê poder à classe operária, que exproprie da burguesia, que coloque a economia sob o controle dos trabalhadores. Para a direita, essas medidas seriam um horror antidemocrático, para nós, no entanto, seria simplesmente a mais ampla democracia.

Como é possível perceber, democracia depende muito do interesse de quem é o beneficiado por ela.

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