Congressos da CUT apoiam Ação Popular contra impeachment como parte da luta contra o golpe

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Importantes congressos da maior organização dos trabalhadores brasileiros, a Central Única dos Trabalhadores (CUT), aprovaram nos últimos dias resoluções de apoio à campanha nacional lançada pelos de comitês de luta contra o golpe e pela anulação do impeachment e pelo Partido da Causa Operária (PCO) em torno da coleta de assinaturas em uma ação popular, a ser julgada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) que pede a anulação do impeachment fraudulento da presidenta da República Dilma Rousseff, destituída por meio de um golpe de estado – sem que tivesse cometido qualquer crime – por uma verdadeira quadrilha que hoje domina o Executivo e o Congresso Nacional, agindo contra a imensa maioria da nação em favor dos interesses de um punhado de grandes capitalistas estrangeiros e “nacionais”.

Dentre outros encontros cutistas, se pronunciaram em apoio à ação popular, o Congresso Estadual da CUT-SP, o 19º. Conferência Nacional dos Bancários, o Conselho de Representantes da Federação Nacional dos Correios (Conrep da Fentect). Nestes encontros cerca de mil dirigentes e ativistas sindicais também assinaram a Ação Popular. Estas assinaturas de lideranças das organizações sindicais se somaram às de destacadas lideranças políticas como as do ex-presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva; dos presidentes do PT, senadora Gleisi Hoffmann, e do PCO, Rui Costa Pimenta; de artistas, como Chico Buarque de Holanda; de intelectuais, como Marilena Chaui; além dos presidentes da CUT, Vagner Freitas e do presidente da Confederação Sindical Internacional (CSI), João Felício.

Estas e muitas outras iniciativas adotadas pelos militantes dos comitês espalhados por quase todo o País, são fundamentais para a fase inicial da campanha, que já recolheu cerca de 20 mil assinaturas em todo o País e precisa obter o apoio de – pelo menos – 1% do eleitorado (cerca de 130 mil eleitores) para ser encaminhada à apreciação do STF.

A meta fixada pelo movimento, aprovada também na Plenária Nacional do PCO, realizada ao final da 40a. Universidade de Férias do Partido, com a participação de mais de 100 dirigentes e militantes de todas as regiões do País, é chegar ao final de agosto com mais de 100 mil assinaturas colhidas, por cerca de 100 comitês criados em todo o País, para a partir daí, justamente no momento em que se completará um ano da votação do impeachment fraudulento no senado e no momento da realização do Congresso Nacional extraordinário da CUT, convocado justamente para debater as alternativas dos trabalhadores diante do golpe de estado e do agravamento da crise.

A mobilização em torno da Ação Popular se dá em um momento de agravamento da crise, com o governo golpista de Michel Temer levado “às cordas” por setores da direita golpista mais próximos do imperialismo, os verdadeiros donos do golpe, que querem o fim do seu governo (como a imprensa golpista, capitaneada pela Rede Globo, Folha de S. Paulo e Revista Veja) e com a condenação fraudulenta condenação do ex-presidente Lula, maior liderança política da esquerda nacional e da luta dos trabalhadores que, no próximo dia 13 de setembro, será novamente submetido a interrogatório pelo juizeco golpista Sérgio Moro, o “Mussolini de Maringá”.

Nestas condições, o crescente apoio à luta pela anulação do impeachment que resultaria na volta ao cargo para o qual foi eleita, da presidenta Dilma, evidencia que uma parcela expressiva e decisiva da esquerda e das principais organizações de  luta contra o golpe estão considerando uma outra política que não seja a política ilusória de acreditar que o congresso golpista vá antecipar as eleições ou mesmo que o regime instalado com o golpe de estado vá permitir eleições minimamente democráticas nas quais candidatos dos trabalhadores e da luta contra o golpe possam participar em relativa igualdade de condições com os “novos” e velhos representantes dos golpistas e defensores dos interesses do grande capital. Por isso mesmo, esses encontros sindicais e outros representativos de setores da esquerda com vínculos com o movimento operário, vem reafirmando a luta contra o golpe como uma das tarefas centrais do próximo período.

Refletindo esta situação, na maioria desses encontros os setores da esquerda pequeno burguesa que apoiaram o golpe, seja ignorando a sua existência, como verdadeiros lunáticos distante da realidade do País e do mundo; seja sob o pretexto de que a “prioridade” deveria ser a luta contra os “ajustes” e não contra o golpe de estado; seja se juntando à direita na pregação golpista (“fora Dilma, fora todos”), foram amplamente derrotados, não só pela insignificância dos seus votos, mas pela rejeição se sua política, profundamente reacionária diante da evolução da situação.

Mostrando uma lenta, mas significativa, evolução à esquerda – juntamente com a crise da burocracia sindical – os eventos de setores decisivos da luta do proletariado nacional vem se declarando contra a condenação de Lula, pela libertação dos presos políticos do regime golpista, como o sindicalista bancário João Vaccari Neto, apoiando a convocação do presidente da CUT, no último ato da Av. Paulista contra a condenação de Lula, a uma nova mobilização à Curitiba, no dia 13 de setembro. Repetindo o chamado do presidente do PCO, em abril passado, de que é necessário que Lula tenha “50 ou 100 mil seguranças, para impedir a sua prisão”; entendo que a privação da liberdade do ex-presidente e cassação de seus direitos políticos representaria um duro golpe contra toda a esquerda e todo o movimento de luta contra o golpe, sinalizando na direção de um aprofundamento da ditadura que os golpistas estão impondo para destruir a economia nacional e eliminar conquistas do povo trabalhador, como se viu na destruição da CLT com a aprovação da “reforma” trabalhista e na discussão da “reforma” da Previdência, entre outras medidas macabras do atual regime.

Em meio a uma situação ainda de incerteza e confusão no interior do movimento operário e da maioria da esquerda, o apoio à campanha da ação popular contra o impeachment e demais iniciativas, cujo maior mérito é promover uma mobilização contra o golpe, representam uma perspectiva de luta capaz de agrupar e unir amplas parcelas dos trabalhadores e da juventude em torno de uma alternativa concreta e independente diante da crise, ou seja, baseada na mobilização nas ruas dos explorados e de suas organizações de luta e não dos conchavos com setores da burguesia golpista, para quem o golpe foi e continua sendo uma ferramenta para aprofundar a escravização da maioria nacional.

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