Veja algumas atrocidades da PM na semana que passou

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Ainda não conseguiram fazer no Brasil um contador de executados da Polícia Militar (como o bodycount das vítimas no Iraque) por um motivo muito simples: é impossível saber quantas pessoas foram torturadas e assassinadas pela PM, mesmo que seja em uma única semana, vejamos:

Espírito Santo:

Um repórter filmava a abordagem da PM, que supostamente estava investigando suspeitos no último dia 10. Mas quem foi preso, na verdade, foi o repórter. Vinícius Arruda (repórter do jornal Metrô, em Vitória) foi preso e acusado de desobediência. Ao G1, o advogado de Vinícius afirmou que “ele [Vinícius] viu o policial dando um soco na costela do suspeito e aí desceu do carro e começou a filmar”.

São Paulo:

Em São Paulo, embora outras dezenas de casos devam ter ocorrido na última semana, o que ganhou os noticiários foi a execução do carroceiro Ricardo Nascimento, de 39 anos, que levou dois tiros à queima roupa, disparados por um PM, na Rua Mourato Coelho, em Pinheiros, Zona Oeste de São Paulo.

Trabalhador, como todas as vítimas da PM, sua execução deu origem a protestos que ocorreram durante seu funeral. Ainda no dia do crime (dia 12), debaixo de gritos de “assassinos” e “fascistas”, a PM recolheu as cápsulas disparadas e jogou o corpo de Ricardo em uma viatura, para destruir qualquer possibilidade de perícia.

Distrito Federal:

No DF, no último dia 14, um rapaz morreu dentro de uma cela de uma Delegacia de Polícia (13ª DP, em Sobradinho), ou seja, sob os auspícios do Estado. Luís Cláudio Rodrigues teria se “desentendido” com um policial e, em seguida, foi levado para a delegacia.

O rapaz foi encontrado morto, dentro da cela, e a polícia afirmou simplesmente que ele se matou. Uma prima afirmou para a imprensa que: “meu primo foi levado para a cela sem as medidas de segurança necessárias. Ele vestia uma camisa polo. Como uma pessoa se mata com uma camisa? Na delegacia, havia seis agentes, um escrivão e o delegado. Como ninguém impediu isso?”

Suicídio dentro de celas de penitenciárias e estabelecimentos como delegacias também são uma constante na atuação da PM, desde a época da ditadura militar, como foi no caso do jornalista Vladimir Herzog.

Ribeirão Preto (SP)

Um jovem de 26 anos foi morto a tiros pela PM quando saía de uma boate, em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, neste sábado, dia 15. Teria sido resultado de mais um “desentendimento” com um policial militar, que, agindo de acordo com a função investida, disparou contra o rosto do rapaz (Nikison Campos Davi) que morreu na hora. A polícia afirma que prendeu o policial e que vai investigar o ocorrido. Mas não afirmou que vai soltar o policial em breve e que não vai investigar absolutamente nada. Nem vai mostrar, daqui a alguns anos, que o PM assumiu um cargo na prefeitura por “mérito”.

Niterói (RJ)

Em fotos, é possível ver que Andrei Apolônio dos Santos (23) foi severamente espancado e, na verdade, deve ter escapado da morte por um triz.

O rapaz procurou uma delegacia em Niterói (RJ) para denunciar o furto de seu celular, no último dia 14, e acabou espancado por um policial civil. “Eu cheguei e ele já começou a agressão com palavras homofóbicas e tapas no pé da orelha, que me deixaram com muito medo”, relatou ao G1. O policial retrucou: “que bom, eu espero que você seja esperto, porque eu seria muito capaz de gastar todo um pente de munição em você”. Após a denúncia, o policial deve ser reconhecido pelo jovem para responder processo. Ou seja, o rapaz corre sério risco de aparecer morto dias após. Denunciar policial é sentença de morte.

Essas foram apenas algumas notícias recolhidas na Internet, mas em uma breve busca por “policial agride”, por exemplo, já aparecem outras ocorrências. Pelas estatísticas oficiais, nesta semana a PM no Brasil executou, pelo menos, 57 pessoas (oito por dia), sem contar as agressões, torturas, espancamentos, humilhações, etc.

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