Racismo: dois casos na mesma semana, não é coincidência

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Durante a última semana, dois casos de racismo foram denunciados, evidenciando a forma exponencial que a evolução do racismo toma no atual contexto politico que atravessa o país. Que é de assenso da direita fascista, parte essencial do golpe de Estado.

O professor universitário, Igor Guevara Loyola, 27 anos,  denunciou  ter sido vítima de racismo ao tentar entrar no evento “Na Praia”, ocorrido no último domingo (9), na orla do Lago Paranoá, em Brasília DF.

Em entrevista, Loyola, que também faz doutorado na Universidade de Brasília (UnB), contou que ao passar pelos seguranças, na entrada principal da festa, por volta das 20h15, foi redirecionado para o acesso lateral e entrada dos fundos.

“Como [as portas] estavam  fechadas, voltei. O segurança perguntou se eu não iria trabalhar, mas disse que estava indo curtir o show. Então, ele pediu que eu apresentasse o ingresso”, afirmou.

Segundo Loyola, as outras pessoas que estavam na fila do evento não foram obrigadas a apresentar os ingressos da festa e não foram encaminhadas para entradas alternativas. “Eu poderia ter entendido mal, mas quando ele perguntou se eu não iria trabalhar, não vi nenhum sentido”.

O outro caso aconteceu, com o advogado negro Juliano Trevisam, barrado em um bar em Curitiba (PR). Segundo Trevisam, ele foi barrado na entrada do bar por está vestido com um camiseta preta e uma gravata da mesma cor. Segundo o funcionário que o abordou o advogado, “parecia um segurança e iria ser confundido no interior do local”.

Trevisan se retirou do local, sem reclamar e diz que “a ficha só caiu minutos depois, e engraçado, porque no inicio você se culpa, pensei: poxa, poderia mesmo trocado de roupa. Ai que veio a noção do absurdo”

De maneira alguma, pode-se chegar à conclusão que estes episódios apesar de distantes não tenham semelhanças, e são coincidências. Com o aumento do poder da direita por um golpe de Estado, sua ideologia é disseminada de maneira mais intensa por aqueles que em uma situação não tão favorável, tinham receio de se expor, ficavam na defensiva.

Os casos relatados, são de negros que tiveram alguma ascensão social, mas que, mesmo assim, ainda são alvo de racismo. Foram fatos ocorridos em ambientes de classe média, e esse racismo é praticamente o mesmo nos locais de trabalho, onde o negro e sistematicamente assediado por sua cor.

Outra situação muito frequente no atual contexto de golpe de Estado, é que as vitimas de racismo são frequentemente acusadas de “vitimismo”, ou seja, o negro só finge que sofre racismo, se faz de vítima. É uma dissimulação da burguesia golpista. Como no caso das mulheres que  são vitimas de assédio e estupro, mas, para a direita, a culpa são delas.

 

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