Mausoléus construídos em homenagem a operários mortos pela polícia completa 100 anos

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Este ano rememoramos grandes eventos da classe operária, como o centenário da Revolução Russa de 1917 constituindo o primeiro Estado operário da história a União da Repúblicas Socialistas Soviéticas. No Brasil o ano de 1917 também foi marcado por intensas mobilizações da classe operária, entre elas destacasse a primeira Greve Geral realizada por trabalhadores das fábricas e do comércio de São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. O movimento que ganhou as ruas em julho de 17 tinha como principais reinvindicações o aumento salarial, a redução da jornada de trabalho diária e semanal, o fim da exploração do trabalho infântil e a liberdade de organização sindical. A primeira resposta do Estado e da patronal ao movimento grevista que se espalhava pelas capitais do país foi a intensa e violenta repressão contra os trabalhadores, levando a dezenas de mortos, feridos e detidos nos piquetes e protestos que explodiam pelas cidades. O movimento de 17 saiu vitorioso conquistando suas principais reinvindicações.

Na cidade de Campinas-SP o movimento grevista ganhou as ruas e também foi duremente reprimido pelo aparato polícial. Uma das ações de repressão resultou na morte de três operários: Antônio Rodrigues Magotto, Tito Ferreira de Carvalho e Pedro Alves foram mortos por policiais em um confronto na Porteira do Capivara, onde atualmente a Avenida João Jorge cruza com a Rua Visconde do Rio Branco. Ambos participavam de um piquete para impedir a partida do trem que levaria o militante sindical deitdo Angelo Soave para a carceragem em São Paulo, quando a manifestação foi reprimida a tiros pelos policiais, assassinando os três operários.

Em homenagem a ambos foram arrecadados recursos para a construção dos jázigos, localizados no Cemitério da Saudade, na quadra 32, perpétuas 40 e 41.  Os jázigos erguidos com recursos dos operários das fábricas se tornaram monumentos aos operários mortos pela polícia, onde havia o epitáfio “Barbaramente assassinados pela polícia na Porteira do Capivara”, apagado parcialmente a mando de autoridades locais. Esse monumento é considerado o primeiro no país dedicado a luta da classe operária, completando 100 anos neste domingo (16), fixando na memória coletiva o custo dos direitos trabalhistas, pagos com as vidas dos trabalhadores brutalmente mortos pelo Estado burguês.

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