Golpistas da Venezuela realizam falso plebiscito contra Maduro

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A coalizão opositora Mesa de la Unidad Democrática (MUD),1 realizou nesse domingo (16) uma ampla campanha contra o presidente Nicolás Maduro, a que chamou de “consulta soberana”. Trata-se de votação à margem do sistema eleitoral oficial do país, sem controle e auditoria. Segundo os organizadores, foram habilitados 2.030 “puntos soberanos” em locais como clubes e restaurantes, tendo sido credenciadas 47.272 pessoas para trabalhar na consulta. Foram criados pontos de votação também no exterior – inclusive no Brasil. Não é difícil antever os resultados deste processo.

O objetivo é descredenciar a Assembleia Nacional Constituinte convocada pelo estadista venezuelano. Neste domingo realiza-se o Ensayo Nacional das eleições oficiais dos constituintes, que se realizarão no próximo dia 30. A Constituinte é a maneira encontrada por Maduro para combater os golpistas e evitar que a direita faça o que fez no Brasil, por exemplo. Este processo acontece num ambiente de profunda crise política no país, provocada pela direita ligada ao grande capital internacional – à semelhança do que vem acontecendo em muitos países da América Latina.

No último dia 5, os golpistas simularam uma suposta tentativa de invasão chavista da Asamblea Nacional da Venezuela, controlada pela oposição. No site do órgão, noticia-se a “Consulta Soberana” como se fosse um processo oficial, e que duas pessoas teriam sido mortas por “paramilitares” durante o domingo: o objetivo é estimular o clima de instabilidade. O tom das perguntas da “Consulta” não é menos agressivo:

  • Repudia e desconhece a realização de uma Constituinte proposta sem a aprovação do povo da Venezuela?
  • Demanda à Fuerza Armada Nacional Bolivariana obedecer e defender a Constituição de 1999 e respaldar as decisões da Asamblea Nacional?
  • Aprova a renovação dos poderes públicos assim com a realização de eleições livres e a conformação de um governo de união nacional?

A presidenta do Consejo Nacional Electoral, Tibisay Lucena afirma que a “consulta popular do MUD” é apenas um processo político “sem consequências jurídicas”. Ante a expectativa de possíveis confrontos com os golpistas, ela garantiu que “em 30 de julho, a Venezuela votará em paz”.

Aos brasileiros, fica o aprendizado sobre as variações de palavras de ordem como as que vêm grassando no cenário político local ultimamente. “Um governo de união nacional” com os golpistas é uma delas.


  1. “Lama”, em inglês

 

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