General Vilas Boas: O exército “defende a democracia”, mas estamos prontos para intervir

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No último dia 15, o jornal golpista O Estado de S. Paulo, através de seu colunista João Domingos, publicou mais uma entrevista com o general Eduardo Villas Bôas. Na entrevista, o Comandante do Exército ressaltou que, diante da crise política, as “instituições” deveriam encontrar uma saída em conjunto. Assim, aparentemente, o general disse que não era papel do Exército interferir na situação política do país.

A declaração do general, no entanto, é completamente falaciosa. A ameaça de um golpe militar sempre esteve presente, desde que a burguesia decidiu dar um golpe de Estado no governo do PT. Na entrevista, Villa Bôas afirma: “Nada fora da Constituição. As instituições é que vão ter de buscar essa saída”. O problema é que a intervenção militar está prevista na Constituição e que, de acordo com o próprio Comandante do Exército, o Exército é uma instituição.

Na entrevista, o general afirma que é dever das Forças Armadas “sempre preservar a democracia e garantir o funcionamento das instituições”. Assim, de maneira contraditória, o general diz que a solução para o País deve ser traçada pelas instituições, mas que, caso as instituições não estejam funcionando, as Forças Armadas devem intervir.

O grande problema é que “preservar a democracia” e “funcionamento das instituições” são termos bastante abstratos. Durante o processo de impeachment, tanto a direita quanto a esquerda diziam estar se posicionando em defesa da democracia. Quando o processo de um político chega ao Poder do Judiciário, há setores da burguesia que apelam para que o Judiciário “funcione” e condene o político, mas também há setores que apelam para o Judiciário “funcione” e saiba separar os Poderes.

Em suma, o comandante dos militares diz que respeita a democracia, mas que se ela não funcionar os militares a farão funcionar, soa muito com soava as declaração de Castelo Branco em 1964.

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