Bradesco: no clima da “reforma” trabalhista, banco prepara demissão em massa

Compartilhar:

O Bradesco, terceiro maior banco do Brasil, anunciou na última quinta, 13/07, a abertura de um plano de demissão voluntária (PDV), que pretende colocar no olho da rua, de uma só vez, pelo menos 10 mil trabalhadores, o que corresponde a cerca de 10% do seu quadro de funcionários.

Segundo informações divulgadas na imprensa, o público alvo são funcionários com mais de 10 anos de banco e seria oferecido 60% da remuneração fixa de junho/2017 por ano trabalhado, até o limite de 12 salários, mais vale alimentação por 6 meses e a manutenção do plano de saúde por 18 meses, além das verbas rescisórias legais, como a multa do FGTS.

A primeira vista salta aos olhos o público que será atingido pelas demissões: funcionários com mais de 10 anos de empresa. Uma das características do emprego nos bancos privados é a alta rotatividade da mão-de-obra, com as demissões atingido justamente os funcionários mais antigos, que são trocados por novos, com salários bem mais baixos. Esse é um dos artifícios que permite que o Bradesco tenha lucrado no ano passado nada menos do que R$15 bilhões, e que apenas no primeiro trimestre de 2017 o lucro tenha atingido o valor astronômico de R$ 4,7 bilhões, inferior apenas ao do Banco Itaú, que atingiu R$ 8 bilhões no mesmo período de 2017.

Além disso, diante do desemprego em massa que existe no país, a política de demissão consiste justamente em aumentar o exército de desempregados e desvalorizar ainda mais o valor da mão-de-obra. No entanto, existem outros interesses que extrapolam a sanha do Bradesco em economizar alguns poucos milhões e estão diretamente vinculados ao golpe em curso no país. Afinal, por que o Bradesco, que tem como política oficial a rotatividade de mão-de-obra, que demite em média cerca de 3 a 4 mil trabalhadores por ano, resolveu promover um PDV se em 2 ou 3 anos poderia atingir as demissões desejadas sem despender recursos? Um dos aspectos centrais do golpe consiste na imposição de um conjunto de medidas que visam promover uma expropriação da classe trabalhadora e do conjunto dos explorados em favor dos patrões, mas, principalmente, para os setores centrais do capital e verdadeiros donos do golpe, os banqueiros e o imperialismo.

A aprovação da lei da terceirização em março passado, complementada pelo desmonte da CLT pelo Congresso Nacional na última semana, abrem caminho para uma absoluta reformulação das relações de trabalho no país.

Faz algum tempo que os bancos acentuaram a tercerização em diversos setores do serviço bancário, já se antecipando à reforma trabalista, sendo que o Bradesco tem sido a linha de frente dessa política. O PDV do Bradesco é, nesse sentido, um passo maior a ser seguido pelas demais instituições do sistema financeiro.

Está colocada a necessidade de uma ampla campanha por parte da CUT e dos sindicatos contra a liquidação da categoria bancária. No México, onde vigora uma lei de terceirização semelhante à brasileira, em pouco mais de 3 anos após a sua aprovação, a categoria bancária, tal qual conhecemos aqui, foi aniquilada. Em alguns bancos, a terceirização atinge até 99% de seu corpo funcional. Portanto, não há tempo a perder. A luta em defesa do emprego deve estar vinculada à luta para derrotar o golpe e suas medidas, única maneira efetiva de se contrapor aos banqueiros e ao governo golpista por eles instalado.

artigo Anterior

Ronaldo Caiado: primeiro Lula, depois toda a esquerda

Próximo artigo

Logo depois de criticar os “excessos” contra Temer, Estadão aplaude as arbitrariedades contra Lula

Leia mais

Deixe uma resposta