160 anos de “As flores do mal” de Charles Baudelaire: clamor das profundezas

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Clamor das profundezas
Charles Baudelaire
Trad. Fernando Fagundes Ribeiro

Piedade imploro a ti, Tu, meu único amor,
Do obscuro abismo em que caiu meu coração.
É um universo morno de plúmbea estação,
Onde pairam na noite a blasfêmia e o horror;

Um sol sem calor plana acima por seis meses,
E a terra, os outros seis, a noite vem tomar;
É um país mais desnudo que a terra polar,
– Nem riachos, nem florestas, nem pastos, nem reses!

Ora não há no mundo horror de mesmo apelo
Que a fria crueldade deste sol de gelo
E esta infinita noite ao velho Caos igual;

Eu invejo o destino do rude animal
Que pode mergulhar numa torpe apatia,
Enquanto o carretel do tempo se desfia!

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