Trabalhismo inglês faz campanha por nova eleição e pode encerrar 7 anos de governo conservador

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Jeremy Corbyn, líder do Partido Trabalhista, está em plena campanha eleitoral. As eleições gerais acabaram de acontecer, mas marcaram uma derrota do Partido Conservador. A primeira-ministra conservadora Theresa May perdeu a maioria que tinha para governar sozinha e acabou fazendo uma coalizão com um partido de extrema-direita, o DUP (Partido Democrático Unionista), da Irlanda do Norte. Diante disso, May está  frente de um governo fraco, contestado pela oposição e também em seu próprio partido, com um movimento para substituí-la. Esta semana May pediu a “contribuição” da oposição com seu governo, ao que Corbyn respondeu pedindo novas eleições.

As pesquisas eleitorais mostram que os trabalhistas estão 8% à frente dos conservadores em intenções de voto. Enquanto pede por novas eleições, Corbyn está em campanha eleitoral, viajando pela Inglaterra para visitar os distritos em que os trabalhistas perderam por pouco, apoiando os candidatos locais ao Parlamento. A ofensiva de Corbyn para vencer as eleições, em condições para fazer isso, contraria tudo o que a imprensa burguesa afirmava contra o líder trabalhista desde que ele tinha chegado ao comando do partido em 2015.

Quem é Jeremy Corbyn?

Corbyn chegou ao comando do partido graças a uma mobilização dos trabalhadores e da juventude na base do partido, desbancando alas direitistas burguesas que tinham grande apoio da imprensa. Com Corbyn eleito, a imprensa burguesa passou a anunciar que ele seria um candidato inviável nas eleições. A campanha contra Corbyn tinha um motivo forte, o deslocamento à esquerda do partido da esquerda do regime ameaça toda a política neoliberal das últimas décadas, não só no Reino Unido mas em toda a Europa e no mundo.

Efeito Corbyn: conservadores perderam distrito que controlavam há 176 anos

O fato de que Corbyn comanda um dos dois principais partidos do regime britânico mostra o repúdio e a oposição dos trabalhadores ao neoliberalismo. Enquanto na França a burguesia conseguiu eleger mais um governo neoliberal por meio de uma manobra que sacrificou os dois principais partidos de seu regime em decomposição, no Reino Unido os trabalhadores conseguiram impor seu próprio representante para as eleições, o que ameaça a ordem neoliberal pela esquerda e já levou ao colapso eleitoral da extrema-direita, que continua forte no resto da Europa.

No sistema parlamentarista do Reino Unido, a fraqueza do governo justifica a convocação de novas eleições. May está mostrando que não é capaz de governar, justamente no momento em que o Reino Unido terá que negociar os termos da saída do país da União Europeia. Nesse quadro, a eleição de Corbyn é uma possibilidade bastante concreta. O Partido Conservador ainda pode tentar um golpe dentro do partido, removendo May do cargo e substituindo-a por outra liderança conservadora, o nome mais cotado é o do ex-prefeito de Londres Boris Johnson.

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