Os negros na Revolução de 1932

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Em 1930, Getúlio Vargas chega ao poder do Brasil através de um golpe de Estado. Insatisfeitos com o golpe, em São Paulo, foi organizada a conhecida Revolução Constitucionalista de 1932, que buscava derrotar Vargas, comandada pelo governador do Estado, Pedro de Toledo.

Eram as forças de um Estado contra os efetivos federais de Vargas. Ou seja, para que se esperasse uma vitória da revolução era necessário alistar o número máximo de pessoas em São Paulo, mesmo mulheres foram alistadas para enfrentar as forças nacionais de Vargas.

Os negros daquela época estavam a apenas 44 anos livres, após a abolição da escravidão de 1888. Ou seja, formavam um forte contingente de operários em São Paulo, uma das classes que Vargas mais fez propaganda.

Mesmo assim, foram milhares os negros alistados para lutar contra o regime de Vargas, no que ficou conhecida como a “Legião Negra”, resultado de comissões que buscavam o apoio junto a população negra para a guerra, e pelo esforço de Joaquim Guaraná Santana, advogado baiano.

A legião foi treinada militarmente pelo capitão Gastão Goulart, e estima-se que a LN chegou a enviar cerca de 2 mil homens para o conflito, sendo que, ao todo, teriam sido mais de 10 mil negros lutando contra a ditadura de Vargas, segundo informações da época.

A própria Frente Negra Brasileira (FNB), a maior organização de negros daquela época, foi sondada para fornecer material humano na luta contra Vargas, e, muito embora tenha havido alguma resistência, é daí que saíram os melhores efetivos negros na luta contra a ditadura de 1930. Algumas pessoas afirmam que a Legião teria sido uma dissidência da Frente Negra.

A revolução, finalmente, foi derrotada, especialmente por ter de enfrentar todo contingente nacional, que era mais que o dobro dos revoltosos de São Paulo, além do armamento federal, que contava com aviões e outros equipamentos; e, assim, os termos de rendição foram assinados em 1º de outubro de 1932, tendo como resultado cassação de direitos políticos, prisões e deportações promovidas pelo governo de Vargas.

A presença do negro foi fator fundamental nessa e em quase todos os motins e revoltas brasileiras, isso sem falar nas que o negro organizou sua própria luta, como foi o caso da Revolta da Chibata, de 1910, comandada pelo marinheiro João Cândido.

A historiografia oficial relega a participação do negro nos acontecimentos nacionais como mero observador, um sujeito passivo, sendo que a própria abolição foi, na verdade, uma tentativa do regime de impedir o levante de escravos no País.

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