A CUT deve romper com a Força Sindical e convocar uma nova greve geral, de 48 horas

Compartilhar:

Nas  próximas semanas, realizam-se em todo o País os últimos Congressos Estaduais Extraordinários da Central Única dos Trabalhadores (CUT), preparatórios do Congresso Nacional Extraordinário da CUT (Concut), que ocorre no final de agosto. Estão por se realizar vários encontros importantes como os de Brasília (onde a CUT parou a Capital Federal 100% nas duas últimas greves gerais e São Paulo, maior centro operário do País e onde se concentram os maiores sindicatos da Central).

A iniciativa de convocar o Congresso Extraordinário (Plenária Nacional) foi uma importante decisão da direção cutista, pois os mesmos foram chamados, especificamente, para que a maior organização dos trabalhadores do País  possa debater e deliberar sobre  avanço da crise diante do golpe de estado, dos ataques aos trabalhadores (“reformas” etc.) e da experiência de luta contra o golpe, da própria CUT e de outras organizações de luta dos trabalhadores.

Esses encontros ocorrem em meio a uma ampla operação para a derrubada do golpista Michel Temer revela que a ala golpista mais  pró-imperialista pretende executar o “fora Temer” para manter e aprofundar a política de terra arrasada contra os trabalhadores e a economia nacional, em favor do grande capital internacional e “nacional” que são os verdadeiros donos do golpe. O plano golpista é ir além das “reformas” trabalhista e previdenciária, impondo o plano original do golpe de fazer retroceder as condições de vida e de trabalho da imensa maioria do povo brasileiro. Para tanto, precisam avançar na verdadeira ditadura estabelecida após o golpe, cassando direitos democráticos da população, intensificando como nunca a repressão e atacando a organização política e sindical dos trabalhadores; dentre outras medidas, com a condenação e prisão do ex-presidente Lula.

Diante da iniciativa dos “donos do golpe”, a burguesia se divide e uma ala (cada vez mais debilitada) defende a manutenção de Temer, como a FIESP e seus “moleques de recado”  no movimento sindical, como a Força Sindical, do deputado “Paulinho da Força” e a tucana UGT, de Ricardo Patah, que sabotaram a greve geral do último dia 30, para defender o “diálogo com Temer”, negociar apoio às reformas e acertar cargos no governo.

A divisão interna da burguesia golpista e o avanço da crise sobre a vida de milhões de trabalhadores (aumento do desemprego, rebaixamento ⁄ congelamento dos salários, aumento da terceirização-escravidão, cortes nos gastos públicos, risco e perda das aposentadorias etc.) aumenta as possibilidades e a necessidade de uma intervenção da classe operária e suas organizações, com uma política própria, independente da burguesia.

A posição da CUT, diante dessa situação é da maior importância, porque ela é a maior organização de luta dos explorados do País, tem em sua base mais de 3,5 mil sindicatos (a maioria dos mais importantes e mais combativos) e tem atuação decisiva na luta contra o golpe, desde 2015.

A CUT deve rejeitar a política  ilusória, disseminada pela pequeno burguesia de esquerda, de que as mudanças necessárias à classe trabalhadora, contra a política da direita golpista possam advir da aliança com setores da burguesia – inclusive que apoiaram o golpe – no Congresso Nacional ou por meio da “frente” com setores patronais infiltrados no movimento operário com é o caso da “central sindical” criada pela FIESP e que se juntou a Cunha, Aécio, Temer, Maia e Cia. para derrubar o governo da presidenta Dilma Rousseff por meio de um golpe de estado.

Como ficou comprovado na aprovação do “congelamento dos gastos” (ex-PEC 55), na famigerada lei da terceirização e outras medidas, na há outra saída para os trabalhadores que não seja impor uma derrota aos golpistas, pela força da sua mobilização. A força dos trabalhadores está em parar a produção e forçar a mão da burguesia, no sentido do que foi feito no Ocupa Curitiba, Ocupa Brasília e nas greves gerais dos dias 28 de abril e 30 de junho.

É necessário que a CUT organize uma nova greve geral, desta vez por dois dias, para mobilizar a força da classe operária e de todos os explorados para derrubar as “reformas” e o golpe de estado, se opondo às manobras dos que querem tirar Temer e deixar tudo ainda pior. Essa mobilização deve apontar rumo à greve geral por tempo indeterminado. Parar o país até que as reivindicações dos trabalhadores sejam atendidas, até que o golpe seja derrotado.

A greve geral é necessária para intensificar a luta política e a campanha contra o golpe e a política antioperária da direita golpista. Para faze-la vitoriosa o caminho não é a “unidade” com os pelegos golpistas e traidores, mas a união dos trabalhadores, liderados por suas organizações de luta, como é o caso da CUT.

A experiência recente mostrou também a ofensiva dos golpistas, não pode ser detida sem derrotar o golpe. Para tanto, é preciso exigir a anulação do impeachment, a volta do governo eleito pela maioria da população e  o cancelamento de todas as medidas de ataques aos trabalhadores com o congelamento dos gastos públicos por 20 anos, a lei da terceirização-escravidão, os projetos de “reformas” trabalhista e da Previdência etc.

Nesse sentido a CUT deve apoiar e impulsionar – dentre outras medidas – a Ação Popular, proposta por setores de sua base e de outras , que integram os Movimento Nacional pela Anulação do Impeachment, no sentido de exigir do STF a anulação do impeachment.

artigo Anterior

Hoje, no DF: bancários elegem delegados para conferência

Próximo artigo

Os negros na Revolução de 1932

Leia mais

Deixe uma resposta