A quem interessa esconder a polarização política?

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Desde que o Datafolha divulgou pesquisa mostrando que a população que se diz “simpática” a ideias de esquerda aumentou, apareceram algumas tentativas de explicar o fenômeno. Um desses “gênios” foi o colunista do jornal Folha de S. Paulo, Helio Schwartsman, que trouxe à baila a já envelhecida teoria de que não existe mais esquerda e direita.

Em coluna da última quarta-feira (5), Schwartsman afirma que as definições são “fluidas”. Para defender sua tese, o colunista da Folha levanta algumas ideias que seriam de esquerda ou de direita, mas que não seriam levadas adiante de maneira coerente por nenhum dos dois lados. Liberdade de expressão seria uma defesa da esquerda, mas que hoje a própria esquerda sacrificaria para defender “identidades minoritárias”.

De fato, parte da esquerda, aquela que chamamos de pequeno-burguesa, abriu mão da liberdade de expressão, mas esse não é o caso de toda a esquerda e nem essa nem qualquer outra ideia abstrata faz alguém ser de esquerda ou de direita. O problema essencial está escondido: a luta de classes.

O colunista da Folha, um jornal escrito pela e para a burguesia, não uma burguesia abstrata e acadêmica, não a simples ideia de burguesia, mas os empresários, capitalistas, os patrões, não quer, logicamente, entrar no problema de classe. Assim, ele dissimula a classe social e procura desfazer a ideia de que sequer haveria uma polarização de ideias, que são expressão dessas classes em luta.

Nesse sentido, por exemplo, ser de esquerda pode ser vago. Tanto pode ser esquerda um membro do imperialista Partido Socialista Francês como um membro de um partido operário, mas as definições vagas terminam aí. Quando se analisa os interesses de classe de cada um as coisas se tornam mais claras e mais concretas.

Por isso, por exemplo, o PCO, um partido operário e revolucionário, defende uma ideia que o resto da esquerda, pequeno-burguesa e “democrática”, não defende, que é o armamento da população. Essa ideia é apresentada falsamente como de direita, mas não é verdade, ou pelo menos os motivos pelos quais o PCO e a extrema-direita defendem o armamento são opostos. A direita, que ao mesmo tempo defende a polícia, quer se armar para atacar os pobres, que ela chama de bandidos, o PCO quer armar a população para se defender da burguesia que é quem detém o monopólio das armas através do Estado. Essa, aliás, foi uma ideia que aumentou entre a população segundo a pesquisa do próprio Datafolha.

E, já que estamos falando de interesse de classes, a principal interessada em esconder que existe uma polarização entre direita e esquerda e principalmente esconder a luta de classes é a direita. Essa que deu o golpe no País, impulsionada pela burguesia imperialista e que é representada em jornais como a Folha de S. Paulo.

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