A USP e o fracasso da privatização

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O órgão oficial da Reitoria da USP, o “Jornal da USP”, antes impresso e distribuído nos campi da universidade e agora apenas em versão digital, admitiu que a privatização dos ônibus circulares na universidade não deu muito certo.

Em reportagem recente publicada na página do jornal na internet aponta falhas e até relembra o antigo sistema em que estudantes, funcionários, professores e qualquer visitante podia transitar  pela universidade de graça, sem pagar nada por isso.

A privatização dos circulares da USP é recente, aconteceu ainda na gestão do último reitor, o interventor, João Grandino Rodas, aquele que chegou ao cargo da mais importante universidade brasileira e a maior universidade da América Latina, mesmo sendo o segundo mais votado na já antidemocrática eleição para reitor.

Rodas, aquele que mandou a PM reprimir e prender estudantes por protestar, deu de presente para a SPTrans um lucrativo mercado. Transportar entre a cidade universitária e a estação de metro Butantã, Zona Oeste da capital, dezenas de milhares de estudantes diariamente. O custo? Todo a cargo da universidade, a comunidade acadêmica recebe um bilhete, o cartão BUSP, e o utiliza para se transportar na universidade. Quem esquecer o bilhete ou perder ou não for da USP paga o valor integral da passagem.

As somas divulgadas pelo próprio Jornal da USP sobre o faturamento da SPTrans são estratosféricas. Os donos da empresa de ônibus lucram com a USP cerca de 1.000.000 de reais para transportar mais ou menos 500 mil passageiros por mês, entre passageiros que tem o BUSP e os que não tem. São duas linhas que transportam em média 70% de passageiros BUSP e 30% de passageiros pagantes, o fato é que todo o montante vai para os cofres da empresa privada de ônibus.  Ou seja, a USP desembolsa mais ou menos 700 mil reais todo o mês.

Um dos destaques da reportagem é o problema do péssimo serviço oferecido pela SPTrans, a superlotação dos ônibus e demora no embarque já que filas e filas de estudantes se aglomeram nos horários de pico para poder usufruir do serviço. A espera chega a mais de uma hora em alguns institutos onde centenas de estudantes esperam os ônibus.

As linhas funcionam desde 2012 e são péssimas desde então. É evidente que não há nenhum planejamento ou interesse por parte da empresa ou da universidade em oferecer um serviço mais eficiente e dinâmico. Os principais envolvidos, os estudantes, nunca foram contatados para sugerir mudanças. Os ônibus sequer foram adaptados para receber o volume de passageiros e não há alternativas como aumento significativo de frota para horários de pico e mesmo trajetos expressos para locais com maior concentração de passageiros. É um serviço caro para a universidade e muito mal realizado pela empresa.

A reportagem “denúncia” do Jornal da USP é atrasada em pelo menos 5 anos, pois a qualidade do serviço é péssima desde que foi criado e tem piorado sistematicamente. A reportagem é um sinal de que nem mesmo a direção da universidade consegue sustentar tamanha incompetência em proporcionar transporte de qualidade para a comunidade universitária. É o resultado da privatização, o Estado entra com o dinheiro e os capitalista com a máquina registradora. Dinheiro público abundantemente a um custo baixíssimo e os piores serviços para a população.

A “mea culpa” do órgão da reitoria não deve ser gratuita, dizer que uma ação, completamente insana como dar dinheiro público para empresas de ônibus, não está funcionado é a preparação para uma nova insanidade. Como dizer que não há mais dinheiro para pagar os transportes, ou ainda, entregar ainda mais verba para “concertar” um projeto que não tem concerto, que veio para substituir algo que era muito superior a ele.

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