Deus e a Luciana Genro na Terra do Sol

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No Brasil houve um GOLPE em 2016. Por meio de um processo fraudulento de impeachment com um pretexto que não convenceu ninguém, derrubaram o governo do PT, da presidenta Dilma Rousseff, eleita com 54,5 milhões de votos.

 

A direita nega o GOLPE

Os empregados da imprensa burguesa negam esse fato por dever de ofício, seu trabalho consiste em falsificar a informação a serviço de determinados propósitos políticos de seus patrões. Os coxinhas que serviram de figurantes nos atos a favor do GOLPE, 20 vezes menores do que era apresentado na imprensa golpista, negam que o GOLPE tenha sido um GOLPE porque continuam apoiando o GOLPE.

Teve golpe?

Embora finjam não reconhecer o crime, os coxinhas tentam negar sua autoria. Nas redes sociais, coxinhas procuram responsabilizar eleitores petistas pela catástrofe Michel Temer, usurpador do governo que conspirou para tomar o poder e aplicar o programa político do imperialismo para os países atrasados no Brasil. Um programa completamente impopular e difícil de apresentar nas eleições burguesas, por mais manipuladas em proveito da direita que essas eleições invariavelmente sejam.

O argumento coxinha é que o voto em Dilma teria sido também um voto em seu vice. Como se fosse possível votar em um vice separadamente. A última vez que o vice foi eleito e assumiu o cargo, a direita o derrubou: foi João Goulart, empossado em 1961 e derrubado em 1964 pelos militares. Ou como se Temer não tivesse agarrado o cargo graças a um GOLPE, no qual os coxinhas participaram com a função secundária de figurantes em manifestações fabricadas pelos monopólios das comunicações. A dissimulação é a marca da política da direita por excelência.

 

A esquerda que busca negar o GOLPE

Os coxinhas são fundamentalmente e em sua quase totalidade membros da pequena burguesia. Há uma versão de esquerda dos coxinhas: a esquerda pequeno-burguesa. Durante a campanha golpista colocada em marcha pelo imperialismo, esse setor da esquerda dedicou seu esforço a tranquilizar a população em relação ao perigo de um GOLPE no Brasil. Essa variante de coxinhas também contribuiu com a subida de Temer ao poder, ao confundir o panorama político em relação ao problema essencial do GOLPE.

Por exemplo, Valério Arcary, então no PSTU (hoje no MAIS, racha do PSTU), afirmou em junho de 2013, em um vídeo publicado no YouTube, que não havia risco de GOLPE no Brasil: “O maior perigo, acreditem, não é um golpe. Nenhum setor da classe dominante é a favor de um golpe no Brasil. Os EUA não querem o golpe, a União Europeia não quer um golpe (…)”.

 

Deus e a Luciana Genro na Terra do Sol

Arcary não foi o único personagem na esquerda a garantir que não haveria GOLPE ao longo da campanha golpista da direita e do imperialismo. Uma figura mais famosa da esquerda pequeno-burguesa também usou a palavra para acalmar quem pudesse estar preocupado com a possibilidade de um GOLPE da direita no Brasil: a ex-deputada federal do PSOL pelo Rio Grande do Sul e candidata do PSOL à presidência em 2014, Luciana Genro. O PSOL é aquele partido do solzinho. Na terra do solzinho, não ia ter golpe.

Pouco mais de um ano antes do GOLPE, em abril de 2015, Luciana Genro assinou um texto publicado pelo sítio eletrônico Carta Maior sob o seguinte título: “O Brasil caminha para a direita?”. Genro argumentava então que não havia uma resposta para a pergunta do título, mas que a situação seria favorável à esquerda (em plena ofensiva da direita). O fracasso da análise seria completo, o defeito mais importante era justamente não reconhecer o perigo do GOLPE. A certa altura do texto, afirmava o seguinte: “Nenhum setor da burguesia quer de fato o impeachment ou muito menos um golpe.” E completava: “a instabilidade política gerada por um processo de impeachment não interessa à burguesia”.

Passado quase um ano, em março de 2016, a um mês do GOLPE, a dirigente morenista persistia com sua política de encobrir as manobras da direita negando que havia um GOLPE em curso. Para a Folha de S. Paulo, em entrevista publicada no dia 28 daquele mês, Luciana do GOLPE declarou: “Os líderes do PT estão incutindo nas pessoas esse medo de golpe para que elas se mobilizem em defesa do governo.” A denúncia do GOLPE seria uma manobra do PT. Essa foi a contribuição de Luciana Genro para enfraquecer essa denúncia em um momento crucial.

Naquele mesmo março, a corrente de Luciana do GOLPE dentro do PSOL, o MES (Movimento Esquerda Socialista), divulgou uma nota de seu Secretariado Nacional com a seguinte pergunta: “Vai ter golpe?” A resposta à pergunta, claro, era que “não”. “Não, não vai ter golpe. O que sim pode ter é o impeachment.” Segundo o MES o único “golpe” que estaria em curso seria um “golpe contra a Lava Jato”. Justamente a operação preparada pela direita e dirigida pelo Mussolini de Maringá para concretizar o GOLPE de estado que derrubou Dilma Rousseff.

 

Tudo culpa do Lula

Depois de tantas declarações estapafúrdias, essa semana Luciana do GOLPE acrescentou mais uma frase a seu repertório golpista. Ao longo de toda a campanha da direita para roubar a presidência e governar sem votos a dirigente do PSOL negou que existia qualquer chance de GOLPE. Consumado o GOLPE, Luciana Genro faz como os coxinhas de direita mencionados lá em cima, tentando responsabilizar vítimas do GOLPE pelos resultados do GOLPE.

Terça-feira (27), Michel Temer fez um pronunciamento durante a tarde. Era uma resposta à denúncia criminal contra ele apresentada um dia antes por Rodrigo Janot, Procurador Geral da República, ao STF (Supremo Tribunal Federal). Durante o pronunciamento, o golpista proferiu as seguintes palavras: “Tenho orgulho de ser presidente. Convenhamos, é uma coisa extraordinária. Para mim é algo tocante. É algo que, não sei como Deus me colocou aqui, dando-me uma tarefa difícil, mas certamente para que eu pudesse cumpri-la.” Pelo Twitter, Deus negou qualquer envolvimento no caso.

Ao ouvir o golpista que ela ajudou a colocar na presidência falando assim, Luciana Genro correu, também para o Twitter, e publicou o seguinte comentário:

Depois de passar anos encobrindo o GOLPE até que a direita tomasse o poder, Luciana Genro continua encobrindo o GOLPE até hoje. Dizer que Lula teria “colocado” Temer na presidência é ignorar toda a campanha golpista da direita para tomar o poder, ignorar os abusos cometidos pelo Judiciário contra o PT, ignorar o caráter fraudulento do processo de impeachment contra a primeira mulher eleita presidenta do Brasil. Mais do que ignorar, esconder o fato de que foi assim que Temer chegou à presidência, contrariando tudo o que Luciana Genro dizia enquanto isso acontecia.

Foi o GOLPE que colocou Temer na presidência. Luciana Genro procura esconder o GOLPE colocando a responsabilidade em Lula, como os coxinhas de direita também adoram fazer. Ela própria é muito mais responsável pela vitória do GOLPE e pelo governo Temer do que Lula. O ex-presidente denunciou o GOLPE que estava em curso, Luciana Genro, que não denuncia a direita golpista até hoje, dizia que o PT falava em golpe para colocar medo nas pessoas. 

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