A necessidade de partido para a luta do negro

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A ideia de se criar um partido operário para a luta contra a burguesia surgiu da necessidade real, viva, de se constituir uma organização capaz de derrotar a burguesia, organizar o povo em torno de suas reivindicações, por mais variadas que sejam, da necessidade de lutar pelo poder.

O que vale para o trabalhador, vale para o negro, especialmente no Brasil, onde a população trabalhadora é de maioria negra. É um raciocínio mais ou menos natural, mas pouco entendido pela esquerda pequeno-burguesa, e por boa parte do movimento negro. Os negros precisam se organizar em um partido operário, que seja capaz de colocar as questões democráticas do povo negro.

Essa esquerda já foi do extremo sectarismo, de que o negro só deve lutar e ser defendido por negros, como ao reformismo mais tradicional, que são as políticas paliativas, que buscam ajustar o capitalismo a algumas demandas do povo negro.

O problema do partido, da sua necessidade, nunca foi bem compreendido e, na verdade, demandaria um estudo mais aprofundado da questão para se chegar às respectivas conclusões. Talvez a próxima Conferência de Negros do Partido da Causa Operária cumpra essa tarefa.

Linhas gerais, o problema, de início, se coloca no programa da organização. O que um determinado programa defende no que toca a política da negritude. A dissolução da polícia, o direito de autodefesa, a construção de creches, cotas raciais e o consequente livre ingresso ao ensino superior, por exemplo, fazem parte de um programa de luta dos negros. Mas não é só.

A organização do negro lhe permite se defender de forma coletiva contra qualquer ataque e não apelar para as próprias organizações do regime burguês. Organização capaz de realizar isso de maneira mais ampla e consequente é um partido, que não só leve adiante a luta do negro, como coloque a questão do poder na ordem do dia da organização.

A questão do poder, também, nunca foi bem compreendida. As organizações dos negros não conseguem (ou não querem) desenvolver uma política consequente para o problema, atuam, no geral, de maneira muito defensiva justamente pela falta de um programa de tomada do poder.

A luta contra o golpe de Estado e suas instituições, como a PM, também mostra, por exemplo, a necessidade da construção de um partido, pois se trata de uma luta abertamente política, contra os golpistas e contra o regime (racista) de conjunto.

A luta contra os golpistas, na verdade, é uma das lutas mais importantes (se não a mais importante) para o povo negro. O regime foi tomado de assalto por tradicionais opositores dos mais elementares direitos do negro. Também por isso aumentou o número de mortos pela PM, bem como está reduzindo o número de negros no ensino superior.

Além das reivindicações democráticas colocadas para o negro organizado, claro está que é necessário levar adiante a luta pelo poder político (luta que tem sua versão mais bem acabada na luta de partidos), poder que hoje está nas mãos da burguesia racista. Até lá, os direitos do negro e do trabalhador são precários e podem ser destruídos em um curto espaço de tempo. Anos, talvez séculos de luta do negro podem ser destruídos por quem controla o Estado, essa é outra lição do golpe.

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