Greve contra o golpe, junto com os golpistas, é impossível

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Na última sexta-feira,  dia 23, representantes  das direções da Central Única dos Trabalhadores  (CUT) e as demais “centrais sindicais” se reuniram em São Paulo, anunciando uma suposta unidade em torno do dia 30 de junho.

A reunião ocorreu dois dia depois que dirigentes da Força Sindical, UGT, Nova Central, CSB se reuniram com o ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, em Brasília, e segundo divulgou o próprio sitio da Força Sindical, trataram  de “possíveis vetos ao texto da reforma trabalhista”e ainda por cima, buscar acertar de “se reunir com Michel Temer na semana que vem”. A esta verdadeira “negociata”, no qual estes sindicalistas estão tratando de defender determinados interesses particulares como a criação da “contribuição de assistência e de negociação coletiva” em substituição ao fim do “imposto sindical”, fundamental para os sindicatos pelegos que – em geral – tem um reduzido números de sindicalizados, mas possuem um grande apoio dos patrões.

Depois de várias declarações públicas feitas pelo presidente da Força Sindical, deputado “Paulinho da Força” (SDS-SP) de que o caminho é o “diálogo” com o presidente golpista Michel Temer e da campanha pública de que “sua” Força e a UGT estava desistindo de apoiar a greve nacional do dia 30, esses e outros sindicalistas golpistas que apoiara a derrubada da presidenta Dilma Roussef (junto com Temer, Eduard Cunha, Aécio e Cia.) e das “negociações” com o governo – que deu lugar a que se ventile que, caso o governo Temer sobreviva mais alguns dias, poderá nomear  próprio “Paulinho” ou alguém do seu partido para um Ministério – esses senhores resolveram voltar a encenar a “unidade” e ainda divulgaram nota qual defendem a “ação unitária das Centrais Sindicais” que – de fato – não existe e nunca existiu.

A CUT e a CTB (secundariamente) – que não participaram da reunião com o ministro e recusam o “diálogo” com o governo – participaram ativamente da luta contra o golpe. A CUT – maior organização dos trabalhadores do País e única central, de fato, criada como parte a luta da classe operária na década de 80, foi a principal impulsionadora das grandes mobilizações contra a derrubada de Dilma, como também a maior responsável pelas maiores mobilizações deste ano contra a “reforma” e o governo Temer, convocando assembleias de categorias fundamentais como metalúrgicos, professores, bancários, petroleiros, metroviários etc, e grandes atos, em praticamente todas as capitais do País.

Por sua vez, “Paulinho da Força” e sua “central”, da mesma forma que seus aliados, depois de ter apoiado o golpe de estado (participando e promovendo atos com Cunha, Aécio, Serra etc.)  passaram atuar para apoiar as principais medidas para as quais seus “chefes”  e donos do golpe, o imperialismo, os banqueiros e grandes entidades patronais (como a FIESP) deram o golpe: expropriar os trabalhadores e atacara a já debilitada economia nacional em favor do grande capital estrangeiro e “nacional”.

Apoiaram toda a operação criminosa da lava-jato e aprovação de uma série de medidas contra os trabalhadores e o povo brasileiro no congresso nacional. O partido de “Paulinho”, por exemplo, o Solidariedade, foi o relator e liderou a aprovação da terceirização sem limites na Câmara dos Deputados e apoiou, desde, os primeiros momentos, a “reforma”  trabalhista, que – de fato – acaba com as aposentadorias, apenas defendendo pequenas mudanças para facilitar sua aprovação.

Nas greves e mobilizações contra a “reformas”  não cumpriram nenhum papel de mobilização e se as bases de alguns de seus sindicatos aderiram à paralisação foi por conta da revolta dos trabalhadores contra o regime golpista e suas medidas, apoiadas por esses sindicalistas.

No momento em que o governo Temer está “na lona”, prestes a ser demitido pelos golpistas pela suas incompetência em aprovar as “reformas” antioperárias, os traidores querem dialogar com Temer e com receio de se colocarem ainda mais abertamente contra a greve geral, desvirtuando, inclusive, seu caráter de paralisação geral dos trabalhadores e anunciando em sua “nota conjunta” que “as centrais resolveram conjuntamente manter o próximo dia 30 de junho como data de paralisações e mobilizações em todo o país” e tirar da data qualquer chamado a lutar contra o golpe e até mesmo contra o governo Temer.

Esses “sindicalistas” ligados à FIESP, ao PSDB, DEM e outras organizações patronais, querem desviar o centro das mobilizações dos trabalhadores que estão, inclusive, pressionando e aumentando a divisão entre  setores da burguesia no congresso nacional, para uma “pressão” no Congresso Nacional, como se daí pudesse vir uma saída real para as reivindicações dos trabalhadores.

A CUT não deve abrir mão do seu papel de vanguarda na atual mobilização dos trabalhadores e na luta contra as “reformas” e, colocar claramente que estas reformas podem ser derrotadas por meio da derrota de Temer e de todo os golpistas.

Para realizar uma grande greve geral no dia 30 e, para dar sequência à esta luta, por uma via independente das armadilhas que a burguesia prepara, como as eleições indiretas e a farsa da discussão das diretas no congresso, (como na década de 80), é preciso desmascara  papel traidor destes “sindicalistas”  golpistas e de sua política de “negociação” com Temer e demais golpistas.

É preciso mobilizar nas bases da Força Sindical, e demais setores importantes do movimento convocando a única unidade que de fato interessa, a unidade dos trabalhadores e de suas organizações de luta (em primeiro lugar da CUT) contra o regime golpista e todos os seus apoiadores, principalmente no movimento operário.

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