BBC, quem defende de fato a saída de Temer?

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A reportagem “Por que parte da esquerda rejeita e parte da direita passou a apoiar saída de Temer?”, publicada no portal brasileiro da britânica BBC e assinada por João Fellet, no último dia 23, faz uma análise da posição de setores de esquerda e de direita em relação ao governo do golpista Michel Temer (PDMB).

Entre as posições citadas está a do PCO, que não defende a palavra de ordem “Fora, Temer”, mas sim uma luta pela derrota do golpe, restituindo o governo derrubado pelos golpistas.

Ao citar a posição do PCO, a reportagem procura minimizar sua importância, citando o baixo desempenho eleitoral do partido. O que quer que esteja tentando demonstrar com isso, a colocação da BBC foge à questão: para que, para quem serve o “Fora, Temer”?

Ao contrário do que a reportagem procura mostrar, a posição do “Fora, Temer” não é unanimidade tampouco a questão mais importante na luta contra o golpe. A reivindicação tem maior repercussão dentro da pequena-burguesia e tem o apoio da própria imprensa golpista.

Apesar de o PT ter se colocado formalmente a favor da saída de Temer, fica cada vez mais evidente que grande parte do partido, tanto da direção, quanto da base, não apoiam esta palavra de ordem como solução para a crise aberta com o golpe. Isto é reconhecido na própria reportagem, mas não é muito bem explicado. Lula e José Dirceu, os dois principais líderes petistas, já se declararam contra a saída de Temer agora, defendendo que é preciso dedicar-se às eleições de 2018.

O setor petista e de grande parte da esquerda que defende a saída de Temer defende que sejam convocadas eleições diretas após o impedimento do presidente golpista, mas fica evidente que a palavra de ordem é bem pouco viável.

A convocação de uma eleição direta após a saída de Temer depende da aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição que estabeleceria que em caso de saída do vice em exercício, seriam chamadas eleições diretas. A legislação atual prevê que neste caso o que ocorre é uma eleição indireta, ou seja, em que apenas o Congresso Nacional vote. Há, no entanto, alguns problemas para a aprovação desta PEC, em especial ter de depender de um amplo setor dos golpistas dentro do Congresso Nacional e também o que é estabelecido pela Constituição que afirma que mudanças no sistema eleitoral  não podem ser aprovadas para um pleito tão próximo.

Atualmente, o setor mais interessado na saída de Temer é a ala mais golpista da direita, que espera tomar conta do poder e aprovar com mais rapidez e de forma mais clara as reformas exigidas pelo imperialismo.

 

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