“Policial não tem que esperar o marginal puxar a arma para atirar”

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Policial assassino geralmente conta com gente igual ou pior que ele para defendê-lo, tanto nos processos militares, quanto nos processos submetidos ao juri popular (quando um PM mata alguém). Uma dessas pessoas é o advogado Celso Vendramini, filho de subtenente do exército, ex-policial militar. É dele a declaração que leva o nome do título da matéria, dada ao El Pais, em matéria extensa sobre policiais e seus advogados.

O advogado já defendeu mais de 100 policiais assassinos ao longo de sua carreira, tendo, segundo ele, sucesso em quase 100% dos casos. “Nem sempre é uma absolvição, mas, dependendo do caso, uma redução de pena, um crime que passa de doloso pra culposo”, afirma o advogado. Um dado interessante da demanda do advogado é que entre 1995 e 2015 a PM de São Paulo matou mais gente que todas as polícias estaduais dos Estados Unidos no mesmo período.

Esse advogado atuou em casos com o da Favela Naval, quando PMs foram filmados torturando e matando pessoas em Diadema (SP), em 1997 e o massacre do Carandiru, no qual faz a defesa de policiais militares que participaram do assassinato de centenas de presos em 1992. “Estamos vivendo um momento diferente. Só os policiais sabem o que aconteceu dentro do Carandiru. Mas houve a condenação, houve a anulação, e, se Deus quiser, vai dar tudo certo para os policiais agora. Deus escreve certo por linhas tortas”, completa o advogado que sonha em ser apresentador de programa policial sanguinário.

Vendramini também já matou algumas pessoas quando era policial: “Eu amava a Rota, amo até hoje, tanto que eu faço parte dos Boinas Negras, os veteranos. Respondi a alguns processos por resistência seguida de morte (…) Mas fui absolvido em todos.” Celso Vendramini esteve com o capitão aposentado da Rota, Roberval Conte Lopes, em episódio narrado no livro Rota 66 – A História da Polícia que Mata, do jornalista Caco Barcellos.

Questionado sobre a brutalidade policial, Vendramini responde: “policial não tem que esperar o marginal puxar a arma para atirar”.  E, sobre as manifestações, afirma que “é só se infiltrar no meio dessa raça que prende todo mundo. ‘Ah não tem onde prender.’ Amarra no poste, na árvore, manda embora. O que não pode é meu direito de ir e vir, o meu patrimônio ou o seu serem violados por pessoas que não têm dignidade alguma. Acho que a polícia tinha que agir com mais rigor. Eu fui do Choque. Na minha época, participei de várias greves desde 1979. A Tropa de Choque não era isso que você vê hoje, não. A Tropa de Choque era diferente. Era bem diferente.”

Esse advogado, ex-policial, mostra bem como pensam os integrantes da corporação e seus dirigentes. Revela, também, a ideologia dos defensores dessas que é uma das mais sinistras forças de repressão do Brasil, que é a Polícia Militar de São Paulo.

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