Nada de greve geral, de “fora Temer” e “diretas”: “Paulinho da Força” quer “diálogo”

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O deputado Paulo Pereira da Silva, “Paulinho da Força”, presidente da Força Sindical e do partido Solidariedade, publicou matéria na Folha de S. Paulo (12⁄06), apresentando, por ocasião da abertura do congresso da “sua”  organização sindical  – criada na década de 90 pela FIESP para se contrapor à CUT – as suas considerações de como seria possível superar esse que ele considera como “o mais grave momento político e econômico desde a redemocratização”.

Há pouco mais de uma semana da realização da realização da greve geral, de 30 de junho, da qual a Força Sindical, é – formalmente – uma das entidades convocantes, o deputado da Força deixa mais explicito do que nunca que não é – nem de longe – a favor de que se encontre uma saída por meio da luta dos trabalhadores, contra a burguesia que deu o golpe e está buscando impor “reformas” que – se efetivadas – vão promover o maior retrocesso nas condições de vida e de trabalho do povo brasileiro.

Pelo contrário, o “sindicalista” lamenta que haja luta e reação aos ataque a golpe de estado que ele apoiou. Afirma, “infelizmente… somos uns contra os outros, classes versus classes…O Brasil se desintegra”.

O deputado aliado de Eduardo Cunha (PMDB) e Aécio Neves (PSDB) s quais trouxe como “estrelas” para os atos da Força Sindical,chama de situação de “desintegração”, ao caos que ele explica ser a “falta de governabilidade” . Ou seja, a falta de capacidade do governo Michel Temer – que “Paulinho” ajudou a empossar – de seguir “governando”, ou seja, impondo a política do governo, principalmente de aprovação das “reformas” desejadas pelos verdadeiros “donos do golpe”,  imperialismo norte-americano e os grupos políticos e econômicos (e até militares) a ele vinculados.

Sem modéstia, o deputado apresenta seu “remédio” para esta situação que ele considera insuportável- baseado em sua própria trajetória. A “solução” seria o diálogo pois, segundo conta, em 20 anos,  dialogou com todos os ex-presidentes FHC, Lula…. Menos Dilma. Esta o teria excluído, bem como a outros o que teria provocado sua queda:  “de exclusão em exclusão, todos sabem, Dilma caiu”. De acordo com ele, “só o dialogo podemos tirar o País deste desse despenhadeiro”

“Paulinho” quer conversar: “é imprescíndivel, agora e já, retomar o dialogo, de todos com todos”. Ou seja, a conversa é com Temer,  com o congresso nacional golpista, com os capitalistas que querem esfolar os trabalhadores para garantir seus lucros, aprovar as “reformas”, acabando com as aposentadorias e inúmeros outros direitos conquistados pela luta dos trabalhadores.

A nota é uma verdadeira declaração de guerra à greve geral que, de fato, Paulinho e sua Força nunca apoiaram.

O “filhote” da FIESP, não só não quer qualquer luta contra o golpe e nem mesmo contra Temer, nem de longe está a lado da posição da maioria da esquerda que advoga a ilusão de que se possa conquistar “diretas” por meio de uma PEC a ser aprovada por 2⁄3 dos parlamentares da câmara e do senado federal. “Paulinho da Força” está claramente a favor do próprio programa de “reformas” dos golpistas.

Em sua nota, defende “na área econômica… ajustes na previdência e, também nas relações trabalhistas”, ou seja, as “reformas”, cm as quais o regime pretende retroceder em décadas as condições de vida e de trabalho dos explorados. Sendo mais explícito, aponta para “reformas sim, mas negociadas”.

Agindo como um verdadeiro representante dos patrões e seu governo defende  que o “dialogo” seja diretamente em torno das famigeradas propostas do governo golpista, rejeitadas por dezenas de milhões de trabalhadores que, seguindo o chamado da CUT e de outras organizações de luta contra o golpe, realizaram em 28 de abril passado a maior greve geral da história do País em número de trabalhadores paralisados. O traíra propõe “torna-las, dentro das propostas oferecidas pelo governo ao Congresso, aceitáveis para o povo”, deixando claro que apenas quer “dourar a pílula”,  ou seja, ajudar os golpistas a ludibriar os trabalhadores, apresentando os ataques como “aceitáveis” para os trabalhadores.

É preciso denunciar a posição reacionária e direitista do “sindicalista” capacho do patrão, que faz aberta pregação contra a greve geral que se prepara, defende as “reformas” e o diálogo com Temer, Aécio, Cunha, Globo, STF e todos os golpistas.

Os que defendem os interesses e a luta dos trabalhadores contra o golpe e por suas reivindicações têm que repudiar a política da esquerda pequeno burguesa e das las mais conservadoras da burguesia que defendem a “unidade” com Paulinho e sua Força, como caminho para fazer avançar a mobilização. Sua política deixa evidente que para fazer avançar esta luta (ou qualquer luta real dos explorados) é preciso passar por cima, derrotar, por meio da mobilização da classe operária,  contra a vontade explicita da burguesia e do seu “sindicalista”.

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