Um PT muito mais vivo do que a direita gostaria

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O Partido dos Trabalhadores (PT) maior partido do País, realizou nos primeiro dias de junho seu 6૦ Congresso Nacional, com cerca de 600 delegados, elegendo a senadora Gleise Hoffman, como sua presidenta nacional, pelos próximos dois anos e aprovando uma série de propostas diante da crise, destacando-se a luta por eleições diretas, por uma assembléia nacional constituinte e por um conjunto de reformas, como a dos meios de comunicação, tributária.

Como assinalamos em uma primeira apreciação, o congresso marcou uma significativa evolução à esquerda do partido, refletindo internamente “o clima de radicalização e polarização política presente na etapa atual marcada pela reação ao golpe de estado que derrubou a presidenta Dilma Rouusef há cerca de um ano, com a participação cada vez mais decisiva de setores do movimento operário como se viu nas manifestações de março passado, na greve geral de 28 de abril, no ato contra a prisão de Lula no dia 10 de maio, em Curitiba, e na “ocupação” de Brasília, no último dia 24, reprimida pelo exército”.

Participei como convidado do Congresso. representando o Partido da Causa Operária (PCO) e não podemos deixar de assinalar que – de certa forma – nos sentimos satisfeitos ao ver o PT, empurrado pela evolução da situação no movimento de massas, se deslocar à esquerda, superando – em alguma medida – a defensiva imposta pela enorme campanha golpista que teve (e tem) como alvo imediato partido e o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva e como objetivo principal fazer retroceder como nunca as condições de vida e de trabalho de milhões de explorados de todo o País.

Nestas condições, o Congresso exaltou algumas das principais vítimas diretas desta ofensiva, dando ao encontro o nome da ex-primeira dama, Marisa Letícia Lula da Silva, assassinada pela perseguição implacável do tribunal de exceção comandado pelo “Mussolini de Maringá” contra Lula e toda sua família.

A maioria dos militantes petistas também saudou com palmas e palavras-de-ordem elogiosas a citação (várias vezes) dos nomes dos dirigentes do partido que foram presos e condenados pelas operações fraudulentas da direita golpista, como José Dirceu, José Genoíno, Delúbio Soares e João Vaccari; passando por cima da política da direita (apoiada por certos setores da esquerda pequeno burguesa, inclusive de dentro do próprio PT) de “combate “a corrupção” para ocultar o golpe dado pelos maiores corruptos da história do País.

De certa forma, o encontro superou a política de setores dessa esquerda que na defesa de interesses menores, disputa por cargos no aparato do partido, eleitorais (internos ou externos) etc. acabavam por colocar o setor majoritário da direção e todo o partido em uma profunda defensiva, ao cobrar destes uma “autocrítica” que, na prática, significava, responsabilizar – por exemplo – o governo Dilma, pelo golpe de estado (“deu motivos”).

Sob a liderança do próprio Lula, o partido passou ao largo dessa política de derrotas e procurou apresentar, nos marcos dos horizontes reformistas e não revolucionário do partido (cujos governos, em todos os níveis foram e estão marcados por uma política de colaboração de classes e de conciliação com a burguesia), uma política de oposição ao regime golpista, de condenação de um entendimento direto com os golpistas na etapa atual ao rejeitar – por exemplo qualquer participação em um provável Colégio Eleitoral para realização de eleições indiretas, para escolher um substituto de Temer.

O congresso apontou a mobilização dos trabalhadores como arma fundamental para enfrentar a ofensiva da direita, apoiando a greve geral, que o presidente da CUT, o petista Wagner Freitas, defendeu na abertura do encontro que precisa ser por dois dias e superar a de 28 de abril passado, a maior da história do País.

Dentre outras medidas positivas, também reiterou seu apoio à Frente Brasil Popular, destacando que seu papel deve ser o de impulsionar a unidade na luta das organizações da esquerda e do movimento operário, popular e estudantil.

A “auto-crítica” foi feita da única forma realmente válida. Com uma política que mostra uma certa superação da política anterior.

Nem tudo são flores, é claro. O congresso expôs as ilusões democratizantes da maioria do PT, que se propõem a realizar um campanha (e empurrar o movimento de luta contra o golpe nesta direção) em favor de que o congresso golpista, que derrubou Dilma e sustentou o governo Temer aprove a realização de “eleições diretas”. Destaque-se o fato de que o próprio Lula, não fez qualquer menção às direitas como saída em sua intervenção e procurou apontar diretamente para 2018, assinalando, inclusive, que o tempo até lá é bastante curto.

Em ambos casos, expressou-se a crença, sem qualquer base na realidade, de que os golpistas, depois de toda a operação que armaram e ainda estão realizando estariam dispostos a entregar o governo, democraticamente, para um governo eleito, seja em 2017, seja em 2018. Isso, sem que seja imposta uma verdadeira derrota do golpe, antes das eleições, inclusive, para permitir que essas ocorram de modo limitadamente democrático, com a participação dos candidatos e partidos da esquerda, sem grandes fraudes, manipulações, enfim, sem o controle do imenso aparato golpista, da justiça, da imprensa, das forças armadas etc.

Apenas um pequeno grupo de militantes petistas, dos comitês de luta contra o golpe e pela anulação do impeachment, apontou no congresso, a necessidade de devolver o mandato à presidenta Dilma, como forma de garantir condições democráticas para a realização de novas eleições e conquistar melhores condições para uma possível vitória, posse e efetivo governo sirigido por Lula (“se ela volta, ele volta”, defendiam). Para tanto, apresentaram emendas propondo que o PT apoiasse a luta pela “anulação do impeachment” (que teria sido aprovada nos grupos) e inscreveram uma chapa visando apenas marcar posição em torno desse mesmo tema.

Depois de anos de campanha da direita a favor da destruição do PT, apoiada por setores da esquerda “coxinha” que apoiaram o golpe, apoiam a criminosa operação lava-jato e até mesmo a prisão de Lula (como o PSTU e alas inteiras do PSOL), o Congresso do PT mostrou o partido vivo, como reflexo direto da evolução da situação política e, particularmente, da classe operária e demais explorados, que mesmo não estando representados objetivamente pelo limitado programa de reformas do PT, ainda encontram expressão eleitoral nesse partido, tem agrupados em torno dele seus principais dirigentes e lideranças.

Como afirmamos, muito antes da crise atual, ao contrário da maioria da esquerda não vislumbramos que uma alternativa revolucionária ao PT possa ser erguida sobre seus escombros, como resultado do êxito da campanha golpista da direita.

Divergimos profundamente da política conciliadora do PT, da sua política de aliança com a burguesia e de seus ataques aos explorados, que decorrem dessas políticas, mas de modo algum fizemos e nem faremos frentes com o imperialismo e a burguesia “nacional” que quer sepultar o PT e Lula para atacar mais livremente os trabalhadores e todas as suas organizações. Sua política deve ser superada pela luta política da classe operária e demais explorados que precisam, mais do que nunca, avançar no sentido da construção e fortalecimento de um verdadeiro partido operário, revolucionário e comunista, do qual o PCO é o embrião.

Assim, saudamos a realização do 6૦ Congresso Nacional do PT e suas resoluções.

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