Correios: unidade na base contra a unidade de pelegos

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Os trabalhadores dos Correios, que estão sempre em estado de greve contra os ataques da direção da ECT (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos), estão cansados de fazerem greves e serem traídos por suas direções sindicais (ligados ao PT, PCdoB, PSTU e Psol).

Na última campanha salarial 2016/2017, a burocracia sindical ligada a esses partidos, junto com a pseudo-oposição, Intersindical e LPS (grupo de sindicalistas dirigidos pelo sindicato de Minas Gerais) dentro da Fentect, comemoraram a unidade entre a Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores dos Correios) e a Findect (uma federação fantasma).

Segundo todos os grupos políticos que compõe a Fentect, a unidade com os sindicalistas da Findect  representava a unidade da categoria contra a direção da ECT, em defesa das reivindicações da categoria.

Para alguns incautos, pode parecer que esse argumento tem alguma lógica, mas para quem luta nos Correios há mais de 5 anos, não tem como se confundir: quem se alia com a Findect está se aliando com a direção dos Correios.

A Findect é uma federação fantasma que foi criada pela própria direção da ECT na época da ditadura militar justamente para impedir que os trabalhadores dos Correios se organizassem independentemente das direções da empresa e do governo, através da sua legítima entidade, a Fentect.

Após ser derrotada pelos trabalhadores, que no início dos anos 90 serem representados apenas pela Fentect, a Findect na prática deixou de existir e ficou na gaveta, esperando para ser usada pelos chefes dos Correios.

Em 2012, com a vitória da oposição no Congresso da Fentect, liderada pelo PCO (Partido da Causa Operária), colocando na secretária geral da entidade militantes revolucionários, a direção da ECT foi buscar no fundo da gaveta a Findect.

A direção da empresa usou o herdeiro do pelego Chico de Bauru, José Gimenes Gandra – filiado ao golpista PMDB, presidente do sindicato de Bauru, com mandato de 7 anos-, mais os traidores famosos da categoria do PCdoB do RJ e de SP – Ronaldão Bianual e Elias Divisa-, a direção dos Correios tentou ressuscitar a Findect.

Com a combatividade da direção da Fentect, liderada pelo PCO, a Findect foi expulsa das negociações naqueles anos, obrigando a ECT fazer a farsa de se reunir à parte com os pelegos da Findect, que não tinham nenhum poder de assinar os acordos coletivos da categoria ecetista, o que, inclusive, foi desmascarado pelos próprios ministros biônicos do TST (Tribunal Superior do Trabalho), em 2014.

No entanto, com a fraude do Congresso da Fentect de 2015 quando a direção da ECT conseguiu recuperar o controle da Fentect, através dos sindicalistas do PT e PSTU, a Findect ganhou novamente o poder de sentar à mesa de negociação se colocando como instrumento fundamental da ECT contra as reivindicações dos trabalhadores dos Correios.

Em 2015, os sindicatos da Findect (SP, RJ, Bauru e Tocantis) aceitaram sem pestanejar os acordos rebaixados. Em 2016, novamente os sindicatos ligados a Findect, dessa vez com o apoio dos sindicatos da Fentect e militantes do Conlutas/PSTU/MAIS – como Jacozinho, defenderam que o acordo proposto pela direção golpista da ECT era a melhor proposta a se atingir, ou seja, abortaram a greve da categoria, por um reajuste inferior a inflação, jogando a negociação do plano de saúde da categoria para acontecer por fora da campanha salarial, através de comissão paritária.

Com a Findect, lutas em 2017 contra os golpistas será derrotada

Em 2017, com o golpe de Estado, a agenda de privatização dos golpistas que assumiram a direção da ECT, e com a Findect (liderada por um defensor do golpe, José Gimenes Gandra, filiado ao PMDB) participando das negociação, o resultado só pode ser traição e prejuízos para os trabalhadores.

A greve de maio deste ano contra a privatização convocada para barrar os ataques dos golpistas contra a categoria (fechamento de agências, demissões, ataque ao plano de saúde e cancelamento das férias) foi organizada pela Fentect tendo, novamente, a participação da Findect (federação fantasma) como protagonista. Obviamente que o resultado já era esperado, mais uma traição, mais um fracasso.

Nos sindicatos do RJ, SP e Bauru, que os traidores da Findect controlam, a greve iniciou com força, por meio da insatisfação da categoria, no entanto, os sindicalistas da federação fantasma trataram logo de esvaziar a greve para exterminar o movimento numa segunda-feira, sem nenhum ganho na luta contra os golpistas da ECT, pelo contrário, assinando um acordo de rendição onde se comprometem em defender demissões através do PDI (Pedido de Demissão Incentivada), entregando o futuro do plano de saúde da categoria nas mãos do patronal TST (Tribunal Superior do Trabalho) e mantendo, inclusive, o fechamento das agências e ao direito de férias da categoria.

Depois de entregar a greve de maio de 2017, os sindicalistas do PCdoB se reuniram para apresentar uma reivindicação salarial para categoria em que sequer pedem um reajuste acima da inflação, que já é determinado pela lei, pela jurisprudência.

Iniciam a campanha salarial da categoria com um ataque contra os trabalhadores dos Correios para 2017-2018, de forma que tentam com isso impedir que a categoria reivindique aumento real de salário e ganho real em salários que não chegam a dois salários mínimos.

Diante disso, é necessário que os trabalhadores dos Correios recusem a manobra das direções sindicais, se unifiquem em defesa de suas reivindicações e contra os sindicalistas patronais da Findect. É necessária a unidade da categoria contra a direção da ECT e contra os sindicalistas agentes patronais, organizar uma grande luta contra aqueles que apoiam esse sindicalismo patronal.

Unidade tem que ser feita pela base, a partir das reais reivindicações dos trabalhadores e a partir de suas necessidades, e não pela vontade que a ECT tem de manter a categoria com salários arrochados, a fim de facilitar a privatização da empresa, entregando-a ao capital internacional, facilitando a vida dos tubarões do mercado postal como a DHL, Fedex e UPS.

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