Uma vitória da política revolucionária do PCO na APEOESP

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As eleições para a diretoria da APEOESP, maior sindicato da América Latina, confirmaram o alcance e a importância da política da luta contra o golpe de Estado do Partido da Causa Operária (PCO), representada naquele processo pela chapa 2- Educadores em  Luta contra o golpe, que tive a honra de presidir.

Os números falam por si e como militante marxista e professor de Matemática não poderia deixar de destacá-los. Mas há muito mais do que dados numéricos.

Em sua intervenção no ato final após as apurações, o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), destacou que “as chapas da CUT obtiveram mais de 60% dos votos”, o que manteve o sindicato sob a direção da maior organização de luta dos explorados do País, única capaz de unificar os trabalhadores, como o comprovou mais uma vez na greve geral do dia 28 de abril e que vem sendo decisiva na luta contra o golpe de Estado e na defesa dos direitos dos trabalhadores que os golpistas querem jogar na lata do lixo.

Com seus mais 5 mil votos e com sua campanha de denúncia do papel golpista da chapa 3 (do PSOL, MAIS, PSTU e outros 26 grupos) – que merecidamente recebeu o apoio da Força Sindical, do deputado “Paulinho da Força”, amigo de Cunha, Alckmin e Aécio, apoiador do golpe e articulador de derrotas dos professores e de todos os trabalhadores no Congresso Nacional, como a aprovação da PEC 55 (que congela gastos públicos, como Saúde e Educação) e da terceirização total (comanda pelo seu partido, o Solidariedade, na Câmara dos Deputados).

Só pela derrota dos golpistas da Chapa 3, disfarçados de “oposição”, como faziam DEM, PSDB etc. no governo Dilma, já teria valido a pena participar dessas eleições.

Nas condições atuais, seria difícil uma vitória maior do que essa, ainda mais para militantes que aprenderam no Manifesto Comunista que em cada luta os revolucionários devem buscar não os seus interesses particulares ou de seus grupos, mas os interesses mais gerais dos trabalhadores. Não há nesse momento luta mais importante em nosso País, que não seja aquela pela evolução da consciência dos trabalhadores da necessidade de derrotar o golpe e os golpistas, seja qual for o disfarce ou rótulo sob o qual eles se apresentem: como “combatentes da corrupção”,  “defensores das ‘reformas'”, “‘socialistas’ defensores da lava-jato”, propagandistas do “sindicato sem partido”, defensores da “unidade com a Força Sindical” e outros.

Mas a nossa Chapa 2 não foi apenas decisiva na vitória da CUT, impedindo com seus 8,63% e sua campanha que a redução de votos da chapa 1 (do PT e PCdoB) – pela perda de apoio diante da categoria e pela campanha da direita contra a burocracia contra a esquerda – que o maior sindicato do País caísse nas mãos de aliados dos golpistas. Fomos a corrente que fez evoluir a consciência de uma ampla parcela da categoria de que o fundamental nesse momento é a luta contra o golpe, que se não for derrotado pela mobilização dos trabalhadores vai promover um retrocesso sem igual no ensino público, nas condições de vida e de trabalho dos professores, da juventude estudantil e de todos os explorados. A esta luta devem estar subordinadas todas as demais. Quem não entende isso e quer lutar por direitos para si e para os trabalhadores (ou pelo menos diz querer) é ainda um “analfabeto político” nas atuais condições, mesmo que s considere um “líder revolucionário”.

Além dessas vitórias políticas fundamentais, a Chapa 2 foi única cuja votação cresceu e muito: alcançou um percentual 70% maior em relação à ultima eleição (2014), passando de 5,1% para 8,63%. Obteve 1.700 votos a mais em uma eleição em que foram apurados 9 mil votos a menos.

As chapas da diretoria (1 e 3) perderam mais de 10 mil votos, além dos 1,7 mil a mais alcançados pela Oposição de Verdade, perderam outros 9 mil dos que “não votaram”.

As chapas da direção foram também amplamente rejeitadas pelos que não votaram, ou seja, a maioria dos associados. De acordo com os resultados oficiais (claramente inflados), de um total de mais de 190 mil associados, mais de 130 mil (pelo menos 65%) não votaram. Sequer referendaram o suspeito processo eleitoral da entidade, totalmente controlado pelas chapas da diretoria que compunham sozinhas a Comissão Eleitoral Estadual, a quase totalidade das comissões regionais, ficando sozinhas no controle do processo. Seria como um processo eleitoral em São Paulo controlado diretamente pelo PSDB (sem a intermediação já suspeitíssima da justiça eleitoral).

A eleição fortaleceu diversos núcleos militantes do PCO e de Educadores em Luta em várias regiões do Estado e posicionou a corrente Educadores em Luta (PCO e simpatizantes) como a segunda força política organizada na categoria, atrás apenas do PT (o maior partido do Pais, majoritário na chapa 1 ao lado do PCdoB e grupos regionais diversos, inclusive de partidos burgueses e golpistas), uma vez que na outra chapa se juntaram, mesmo sem qualquer acordo político mais profundo que não fosse a ferrenha luta por manter cargos conquistados no passado, cerca de 30 grupos da esquerda pequeno burguesa (PSOL, PSTU, MAIS, PCdoB, FOS, Juntos, MNOB, LSR, TPOR, LOI, MRT, CST, EM, ES, AP, Renovar etc.).

Mesmo com todas as manipulações e fraudes, avançou na APEOESP a luta contra o golpe.

A tarefa que decorre dessa vitória é dar sequência a esta luta, em uma etapa decisiva em que a direita pró-imperialista busca “renovar” o golpe preparando a queda de Temer, diante da sua impotência para garantir os duros ataques que pretendem impor aos trabalhadores sob este governo golpista.

Mais do que nunca, é preciso fortalecer a organização independente da burocracia, a oposição de verdade, Educadores em Luta, com um programa de luta e uma atividade sistemática (reuniões, boletins, atividades de formação etc.) sob a orientação da política revolucionária do Partido da Causa Operária.

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