Um ano depois de “Aquarius”, novo protesto em Cannes contra o golpe

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Há cerca de um ano o diretor e a equipe do filme brasileiro “Aquarius” protestaram no tapete vermelho do Festival Internacional de Cinema de Cannes, na França. O filme concorria na competição principal do festival e o protesto, ocorrido na pré-estreia caiu como uma bomba no País em meio ao afastamento da ex-presidenta Dilma Rousseff por meio do golpe disfarçado de impeachment que ainda não tinha sido consumado.

O protesto da equipe de “Aquarius” dizia com todas as letras que o Brasil havia sofrido um golpe de Estado. O fato foi noticiado amplamente nos órgãos de imprensa internacional e a imprensa brasileira, capacho do imperialismo, não teve como esconder já que o evento foi divulgado pela televisão e internet em todo o mundo. Foi um protesto que desencadeou uma onda de protestos não somente na área de cinema, mas em todo o meio artístico contra o golpe e o governo golpista de Temer.

Na última sexta-feira, dia 26, um ano depois, outro protesto contra o golpe no Brasil, embora mais discreto, foi realizado em Cannes. A manifestação veio do cineasta mineiro Gabriel Martins, diretor do curta-metragem “Nada”, que em seu discurso de agradecimento após a exibição do filme na mostra Semana dos Realizadores falou contra o governo golpista de Michel Temer. Em inglês, Martins comentou a repressão do ato em Brasília, ocorrido dois dias antes, e alertou para o uso das Forças Armadas para reprimir os manifestantes.

Um protesto bastante incisivo muito além do simples “Fora Temer”, mais comum nestas ocasiões. O interessante e o que chama a atenção é que a imprensa golpista ignorou por completo o acontecimento e a notícia do protesto de Gabriel Martins foi dada por apenas dois portais da internet no Brasil.

O cineasta mineiro ainda dedicou sua participação em Cannes à classe trabalhadora brasileira e à população negra do Brasil. Um protesto bastante político que deve ser divulgado amplamente, pois de fato a repressão desmedida ao ato de 24 de maio em Brasília com o uso do exército é um alerta grave diante do desenvolvimento do golpe de Estado no Brasil.

Segue abaixo o texto do discurso de protesto do cineasta Gabriel Martins e o vídeo.

“Eu gostaria de dizer rapidamente que estou muito feliz de estar aqui e ao mesmo tempo triste, porque continuamos sob um golpe no Brasil e nesta semana nosso presidente ilegítimo escreveu algo para permitir as forças armadas tomarem a cidade de Brasília contra as pessoas que estavam protestando por direitos básicos, então eu gostaria de dedicar essa exibição à toda classe trabalhadora do Brasil, especialmente à comunidade negra”

Assista aqui:

Apresentação de NADA, na quinzena dos realizadores, Gabriel Martins dedica o filme à/aos trabalhadorxs brasileirxs e à comunidade negra e ainda deu a letra do presidente ilegítimo e militares em brazila. Viva a Filmes de Plastico

Publicado por Paula Pripas em Sexta, 26 de maio de 2017

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