Mais uma do Leandro Karnal: a cobra

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Em sua coluna no Estadão, neste domingo (28.5.2017), Leandro Karnal publica um artigo com um título simbólico para falar da ingratidão: “A cobra vitoriosa”. Mas, meio impotente nessa tentativa, procura matar a cobra, sem mostrar o pau.

Numa matéria de 5 colunas, gasta quase quatro para explicar o que é a ingratidão e a felonia. E só ao final da quarta coluna é que entra no assunto de fato. Afinal, quem á a cobra vitoriosa?

Menciona, então, um certo deputado, amigo de Collor, que acabou votando pela abertura do processo de impedimento contra o amigo. Em seguida, gasta mais algumas linhas para falar dos ofídios e arremata que os brasileiros, desiludidos com os políticos, desiludem-se com a política. Estariam eles preparados para perdoar um benfeitor? Aceitariam o bem realizado por um aguardado Messias? E lembra-nos de que os messias costumam ser crucificados, e as serpentes, conhecedoras da natureza humana, “sibilam com sorriso irônico, pois conhecem a natureza humana”. E, por fim, deseja, a todos um bom domingo.

Depois de ler um artigo como esse, será difícil ter um bom domingo. Na verdade, um artigo desses estraga o fim de semana de qualquer um.

Afinal, quem é a serpente? Somos obrigados a crer que a serpente é o próprio Messias. Karnal menciona o poeta Dante Alighieri, o historiador Tácito e Aristóteles para falar de Onaireves Moura. E para falar do Messias, inspira-se certamente, embora não a mencione tacitamente, em Janaína Paschoal. Quanta honra: colocá-la ao lado de Aristóteles, Dante e Tácito!

Foi Janaína Paschoal quem se referiu a Lula, o Messias do texto de Karnal, como “cobra”. E diante, da falta de perspectiva política, o brasileiro ingrato haverá de recorrer novamente à cobra, por que é ingrato. E essa cobra não é ninguém menos do que Lula, que dará o troco àqueles que o perseguem e, ao fim e ao cabo, haverá de sibilar com o sorriso irônico daqueles que conhecem a natureza humana. Essa será a vitória da Cobra.

Mas nada fica claro no texto de Karnal. Ele diz que Aristóteles pensou a ética como um deserto da moral, um pântano das certezas e da fidelidade. O texto de Karnal é isto mesmo: um pântano de certezas. E a moral pregada em seu texto é mais árida do que qualquer deserto. Resta a questão da fidelidade. Como ele trabalha a soldo dos Mesquitas, vale a pergunta: Afinal, a quem Leandro Karnal é fiel? Pois não existe serpente mais peçonhenta do que dono de jornal.

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