Uma esquerda golpista e “sem partido”

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Antônio Carlos Silva, dirigente do PCO, colunista do DCO e candidato à presidente da APEOESP pela Chapa 2

Nas eleições para a diretoria da APEOESP, maior sindicato da America Latina, apresentam-se três chapas das principais correntes de esquerda presentes no movimento operário, sendo possível perceber claramente a evolução das mesmas, diante da evolução do golpe de estado em curso no País.

A votação ocorre neste dia 25 de maio e estão inscritas três chapas: duas da diretoria e uma de oposição.  A chapa 1 (PT-PCdoB) tem 60% dos cargos da atual direção e dirige o Sindicato há quase quatro décadas; tem à frente a atual presidente Maria Izabel Noronha, que tenta seu quarto mandato como presidente, representando a política conciliadora e de colaboração de classes do PT, alvo do golpe de estado.  A chapa 3 (PSOL-MAIS-PSTU-Conlutas etc.) tem 40% da atual da atual direção e está completando 15 anos na diretoria, em como presidente o diretor da APEOESP, Moacyr Américo (do PSOL), que reune setores que fizeram campanha aberta em favor do golpe de estado (como o PSTU e seu recente racha o MAIS), fazendo coro com a direita em favor do “Fora Dilma” e defendendo a prisão de Lula. É a chapa dos defensores da golpista operação Lava-jato, comandada pelo, “Mussolini de Maringá”, o juizeco, Sérgio Moro.

Nós, professores do PCO, organizamos junto com outros setores antigolpistas (de outros partidos de esquerda e independentes) a única chapa de oposição, sem nenhum integrante da diretoria, a chapa 2 – Educadores em Luta, a oposição de verdade (PCO e simpatizantes), dando continuidade ao trabalho de oposição à burocracia que fazemos há mais de duas décadas nesse sindicato e à luta contra o golpe de estado, na qual nossa corrente tem – reconhecidamente – um papel de vanguarda.

As eleições estão servindo para clarificar diante de milhares de professores o papel reacionário da esquerda pequeno burguesa (agrupada na chapa 3) apontando no sentido de desmontar  verdadeiro estelionato que estes setores realizam há anos na categoria dos professores e em outros setores: apresentam-se como “oposição”, usam frases de esquerda para defender uma política reacionária e direitista.

Nesta última semana da campanha, por exemplo, denúncias apontam que  a chapa 3, estaria contratando mais de 2 mil “bate-paus” para participar das eleições do sindicatos inscritos como fiscais, sob o patrocínio dos amigos do governo Alckmim (PSDB), da Força Sindical.

Entre os marginais contratado para intimidar e provocar os professores e atacar as chapas da CUT nas eleições (chapa 1 e 2), estariam centenas de elementos “coxinhas”  que participaram das campanhas do deputado “Paulinho da Força”, de atos patrocinados pela FIESP a favor do golpe, de eleições sindicais em que a máfia da Força Sindical atuou, sempre contra os trabalhadores e a favor dos patrões.

Esta iniciativa não é a única que mostra o caráter direitista da chapa 3. Os “esquerdistas” do PSOL e PSTU (e seus satélites), fizeram sua convenção na sede do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo, um dos berços da Força Sindical e são ardorosos defensores e praticantes da “unidade” com estes pelegos e golpistas, que fizeram campanha para Aécio Neves e Eduardo Cunha, em 2014 e ajudaram a aprovar no Congresso a terceirização e outros ataques aos trabalhadores.

Para não deixar dúvidas da evolução à direita desses setores, em seus materiais de campanha, a chapa 3 faz a mesma propaganda que a direita golpista do “apartidarismo”, afirmando que o sindicato não deve ter partido político, um discurso que caberia muito aos movimentos “coxinhas” da direita, como o MBL e outros, os quais são abertamente contra a esquerda e contra as organizações dos trabalhadores. Assim a Força Sindical, MBL, DEM, PSDB etc. defendem a “escola sem partido”, a chapa 3 participa nas eleições para defender o “sindicato sem partido”. Qualquer coincidência não é mera semelhança.

Os professores e todos os trabalhadores devem tirar suas conclusões. É preciso denunciar amplamente nas escolas e para todos os professores essa infiltração da direita golpista representada nessa eleição pela chapa 3 e seus amigos da Força Sindical. Da mesma forma, era conduta pelega deve ser denunciada e enfrentada no conjunto do movimento operário.

As eleições da APEOESP são assim um laboratório cujas “pesquisas” e conclusões devem ser levadas para  conjunto dos trabalhadores.

Os trabalhadores precisam superar a política conciliadora do PT e de toda a burocracia sindical. Mas isto só pode ser feito com base no reagrupamento dos setores classistas, dos novos ativistas e de todos os que lutam contra  golpe, de forma independente dos patrões e da burguesia golpista, com um programa revolucionário e passando por cima da política reacionária da esquerda “sem partido” e golpista.

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