Super promotor vai investigar governo Trump

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Nesta quarta-feira (17), o vice-procurador-geral dos EUA, Rod Rosenstein, nomeou um promotor especial para investigar o governo de Donald Trump. O ex-diretor do FBI Robert Mueller terá todo o tempo para investigar relações entre a campanha de Trump à presidência e o governo russo e qualquer influência da Rússia sobre as eleições norte-americanas. O orçamento de Mueller será ilimitado e ele terá o poder de abrir investigações criminais contra membros do governo.

Rod Rosenstein é parte do governo Trump e pode suspender decisões de Mueller. No entanto, o fato de que Mueller tenha sido nomeado é fruto de uma pressão do Partido Democrático, de oposição, com apoio de parte do Partido Republicano e de uma grande maioria da imprensa. Entre os parlamentares republicanos há, segundo a imprensa norte-americana, simpatia pela ideia de um governo de Mike Pence, vice-presidente que assumiria no caso de uma queda de Trump.

Com um super promotor vigiando os passos do governo, a Casa Branca estará sob constante pressão, tendo que tomar cuidados redobrados a cada passo. Cada membro do governo terá que se precaver, evitando se comprometer com a justiça. Por si só, esse tipo de pressão tende a paralisar o governo, que tem apenas quatro meses. Desde o começo de seu mandato, Trump enfrenta uma campanha para derrubá-lo.

A campanha para dar um golpe em Trump se intensificou nos últimos dias. No dia 9 de maio, Trump demitiu o então diretor do FBI, James Comey. Na terça-feira (15), o New York Times publicou uma reportagem mostrando que Comey teria elaborado memorandos sobre suas reuniões com Trump. Em fevereiro, Trump teria pedido para Comey interromper uma investigação contra Michael Flynn, conselheiro de Segurança Nacional que se demitiu por ter mentido para Pence sobre um encontro com membros do governo russo em dezembro.

A Casa Branca chegou a divulgar uma nota oficial afirmando que a demissão de Comey não teria nenhuma relação com as investigações do FBI sobre relações da campanha de Trump com o governo russo. No dia 11, porém, Trump disse que tinha a investigação em mente quando demitiu Comey, dizendo que “essa coisa dos russos é uma história inventada”, durante uma entrevista para o canal de TV NBC.

Outro fato que ajudou a aprofundar a crise do governo Trump foi a revelação de que Trump repassou dados de inteligência para o governo russo na semana passada. As informações eram relativas ao Estado Islâmico e foram levantadas por Israel, enclave imperialista pertencente aos EUA no Oriente Médio. Os dados foram repassados aos russos por ocasião de um encontro entre Trump e ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov.

A entrega de informações para o governo russo levou à acusação de que Trump estaria traindo a confiança de países aliados e colocando alianças em risco. O presidente não cometeu nenhuma ilegalidade, fato que ele mesmo destacou, mas esse acontecimento foi usado para alimentar a campanha contra ele. O ocorrido também ilustra a confusão do aparato de repressão do imperialismo sob o governo de Trump, em permanente crise.

A crise do governo Trump desde o primeiro dia é resultado de uma crise do regime político nos EUA. O principal setor da principal burguesia imperialista do mundo perdeu o controle das eleições em seu próprio país. Trump representa um setor mais fraco, e por isso está sob constante ameaça de golpe. Essa crise expressa a decomposição do regime imperialista, atingido pela crise do capitalismo, que entrou em uma nova etapa em 2008 com o colapso neoliberal. Uma crise relacionada diretamente às dificuldades do imperialismo em manter seu controle sobre os países atrasados, como no catastrófico fiasco das invasões do Afeganistão e do Iraque.

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