A nova onda de ataques contra Trump

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Essa semana começou uma nova ofensiva contra o presidente dos EUA, Donald Trump, do Partido Republicano. Há uma operação montada para derrubar seu governo. Nesta quarta-feira (17), uma avalanche de manchetes da imprensa soterraram o presidente em mais uma etapa da campanha para tirá-lo do poder. O motivo foi uma matéria publicada na véspera pelo New York Times.

Segundo a matéria, em fevereiro Donald Trump pediu para James Comey, então diretor do FBI, interromper uma investigação contra Michael Flynn. James Comey foi demitido por Trump de seu cargo como diretor do FBI na semana passada. Michael Flynn foi conselheiro de Segurança Nacional do governo Trump e deixou o cargo depois da revelação de que ele teria mentido para o vice-presidente, Mike Pence, sobre um encontro com membros do governo da Rússia.

A acusação contra Trump estaria em um memorando elaborado por Comey logo depois de se reunir com o presidente na Casa Branca. O governo negou em nota que esse tenha sido o conteúdo da conversa. A situação coloca a palavra de Comey contra a palavra de Trump. No Congresso, o deputado republicano pelo estado de Utah, Jason Chafettz, presidente da Comissão de Vigilância da Câmara dos Representantes, disse que pedirá todos os memorandos elaborados por Comey relacionados a seus encontros com Trump ao FBI.

Sob pressão da imprensa, a Casa Branca, descrita pela própria imprensa como “sitiada”, tem tido dificuldades de comunicação. Comunicados oficiais entram em contradição com declarações de Trump. A contradição mais grave aconteceu durante a demissão de Comey.

Uma nota oficial declarava que não havia qualquer relação entre a demissão de Comey e a investigação conduzida pelo FBI sobre ligações de Trump com os russos durante a campanha eleitoral. Em uma entrevista para o canal de TV NBC, no entanto, Trump disse que uma das razões para a demissão foi que “essa história de Rússia é um factoide”.

De fato, Comey operava de dentro do Estado contra o Trump, que por isso o demitiu do aparato estatal. Agora os setores que buscam a derrubada de Trump tentam usar a própria demissão como parte de uma campanha golpista.

Obstrução da justiça?

Diante desse episódio, a imprensa acusa Trump do crime de obstrução da justiça. Legalmente a acusação é frágil, trata-se de palavra contra palavra, e é difícil definir se as palavras de Trump em uma conversa teriam de fato a intenção de impedir uma investigação. Para a campanha na imprensa, porém, a acusação serve.

O New York Times, que publicou a reportagem sobre o memorando de Comey, pede em editorial desta quarta-feira (17) que o Congresso abra uma investigação contra Trump, acusando a justiça de ser omissa por estar tomada de aliados de Trump nos postos de que poderiam partir processos contra o presidente. Em uma coluna de opinião publicada pelo jornal na mesma edição, Ross Douthat pede a aplicação da 25a emenda constitucional contra Trump, uma lei que permite interromper um mandato caso o presidente seja “incapaz”.

Além da suposta obstrução da justiça, Trump também é acusado de ter vazado informações de inteligência levantadas por Israel, entregando-as aos russos em uma reunião na semana passada. As informações se referem ao Estado Islâmico e Trump não nega que as repassou, apontando que isso é direito do presidente.

O verdadeiro motivo

A verdadeira razão para que os setores mais poderosos do imperialismo tente derrubar o governo de um setor mais fraco do imperialismo, representado por Trump, não é nenhuma dessas acusações levantadas pela imprensa. O principal setor da burguesia imperialista perdeu o controle das eleições e agora tenta derrubar um presidente com poucos meses de governo.

O problema para o imperialismo é que o governo Trump confunde o aparato montado pelo imperialismo para controlar os países atrasados. O fornecimento de informações para a Rússia para combater o Estado Islâmico é um exemplo dessa confusão.

Isso coloca uma situação em que a ala ideologicamente mais reacionária, de extrema-direita, está sendo atacada por um setor muito mais poderoso, que se traveste de liberal mas tem um potencial muito maior de violência contra as nações oprimidas. Esse setor tem uma política muito mais decidida para enfrentar as crises na Venezuela, Síria e Rússia. Com intervenções militares diretas nos planos e golpes de estado. Essas políticas continuam funcionando sob Trump, mas de maneira confusa, partindo de um aparto em crise e em contradição com o próprio governo.

É por isso que Trump está sob os ataques de uma campanha golpista. Para os setores mais fortes do imperialismo, os grandes monopólios e bancos, retomarem um controle mais direto do Estado norte-americano. O golpe contra Trump é uma manobra arriscada. Caso fracasse, enfraquecerá o controle do imperialismo em todo o mundo. Caso seja bem sucedido, pode provocar uma crise política dentro dos próprios EUA.

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