Burocracia sindical dos bancários capitula com os banqueiros e diz que acordo bianual é avanço

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A CONTRAF/CUT (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro), federação responsável pelos trabalhadores bancários, em matéria no seu site do dia oito de maio último avalia que o acordo bianual fechado com os banqueiros no ano passado é um avanço para a categoria.

Com o título da matéria “acordo de dois anos evita perdas salarias dos bancários” a Contraf/Cut passa a idéia que “certamente os bancários do Banco do Brasil e da Caixa Econômica serão os únicos funcionários públicos federais que terão aumento real neste ano”, e completa, “vemos este mesmo cenário nos bancos privados…”(site Contraf/Cut 08.05.17)

Na mesma matéria a Contraf cita o economista Fernando Antonio Soares, Secretário de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (Sest), do Ministério do Planejamento, que “anunciou que o Governo Federal term a meta de demitir 20 mil funcionários públicos federais em 2017.”(idem)

É bom relembrar que a campanha salarial dos bancários de 2016 acabou trazendo para a categoria essa novidade que foi o famigerado acordo bianual.

A campanha salarial dos bancários daquele ano havia sido marcada como uma das mais longas dos últimos tempos e também uma das mais fortes. Foi uma greve unificada entre bancos públicos e privados que paralisou dezenas de milhares de agências em todo o país e dezenas de centros administrativos coincidindo, inclusive, com o processo do impeachmet da presidenta Dilma Rousseff como parte do golpe de Estado.

Naquele momento o governo golpista de Michel Temer e um dos financiadores direto do golpe a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) insistiram na política de arrocho salarial oferecendo um reajuste miserável abaixo da inflação de 8% e mais um abono de R$ 3.500,00, que não incorporou ao salário para nenhum fim, e acabaram induzindo a burocracia sindical, para ludibriar a categoria, aceitando um reajuste em 15% no vale alimentação e 10% no vale refeição para em troca fechar o famigerado acordo bianual, garantido para 2017 o INPC mais 1% de “ganho real”.

Vale resaltar que a inflação calculada no período de setembro 2015 à setembro de 2016 pelo Dieese reivindicado e referendado pelo Congresso da categoria era de 9,62%; com os 8% acordado somado a 1% para esse ano não atinge nem os 9,62% da inflação, ou seja, não haverá ganho real, os salário já ficaram arrochados em 2016 e continuará arrochada neste ano.

A insistência dos banqueiros e do governo golpista com o acordo bianual em 2016 era clara: que não haja campanha salarial em 2017 e impor, como está acontecendo, um violento retrocesso, não apenas através do arrocho salarial mas, também com demissões em massa; no Banco do Brasil já foram mais de 9.900 demissões, Caixa Econômica 10.000, nos bancos privados dezenas de milhares de demissões, fechamento de centenas de agências, descomissionamentos, terceirizações, etc. Além das reformas trabalhistas e previdenciária, fim da CLT, que atinge de cheio a categoria bancária.

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